Lula recebe a ala governista do PMDB
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terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Julia Duailibi e Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - Um dia após a convenção do PMDB que decidiu pela saída da base aliada ao Planalto, o governo disse encarar sem alarme a situação, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a ala governista do partido. A principal complicação, segundo ministros que compõem a coordenação política, é a falta de apoio institucional do partido ao governo, já que a presidência do PMDB, hoje com Michel Temer, votou a favor da ruptura. Participaram da reunião com Lula os ministros Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), Aldo Rebelo (Coordenação Política), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo e Gestão Estratégica) e Ricardo Berzoini (Trabalho).
''Gostaríamos de tê-los (os peemedebistas) conosco em 2006. Mas o que vai contar na eleição serão os números da economia'', disse Jaques Wagner, ao comentar as implicações da decisão do PMDB de ter candidatura própria na próxima eleição presidencial. Na avaliação do Planalto, uma vez que os esforços do governo para trazer um PMDB mais homogêneo não deram resultado, o caminho agora é o presidente se empenhar em estreitar a relação com a ala governista do PMDB.
Durante a reunião de pntem, avaliou-se que o PMDB deixou uma porta aberta para o diálogo, ao afirmar que a legenda deverá votar com o governo os projetos que são vão ao encontro das propostas do partido. A mesma avaliação serviu para o PPS, cuja direção também decidiu pela saída do governo.
Apesar de a convenção nacional do PMDB ter aprovado o rompimento com o governo, a maior parte dos senadores e deputados peemebistas continuarão votando a favor dos projetos de interesse do Executivo.
Renan Calheiros afirmou que já está pronto o recurso que será apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar anular os efeitos da convenção. Ele aguarda apenas o recebimento da ata do encontro partidário. ''Esse despacho não resiste ao menor sopro de bom senso jurídico. A convenção não tem eficácia política nem jurídica'', disse Calheiros, se referindo ao mandado de segurança concedido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, às 18h, depois do horário previsto oficialmente para o encerramento da convenção, às 17h.


