O candidato da frente de oposição à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enviou uma carta ao primeiro-ministro inglês, Tony Blair, manifestando seu repúdio com relação às declarações do ministro sem pasta da Inglaterra, Peter Mandelson. Terça-feira, Mandelson, que esteve no Brasil a convite do presidente Fernando Henrique Cardoso, qualificou as propostas de Lula de ‘‘retrógradas’’. Segundo o candidato do PT, as afirmações do inglês ‘‘têm cheiro de encomenda do governo FHC.’’
Lula chamou Mandelson de ‘‘despreparado e desqualificado’’. ‘‘Ele não pode nem ser punido, pois é um ministro sem pasta’’, afirmou o candidato. ‘‘Ele (Mandelson) precisa ter em conta que o Brasil não é mais uma colônia.’’ O PT distribuiu uma nota, assinada pelo presidente do partido, José Dirceu, na qual expressa sua indignação em relação às declarações do ministro inglês.
O secretário das Relações Internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia, encaminhou ao embaixador do Reino Unido no Brasil, Donald Keith Haskell, uma carta na qual manifesta ‘‘estranheza pela ingerência de um funcionário inglês nos assuntos do Brasil’’. O texto solicita ao embaixador que faça chegar às mãos de Tony Blair a carta de Lula.
Para Garcia, Mandelson demonstrou ‘‘total ignorância sobre o País’’. ‘‘Ele é tão ministro sem pasta que perdeu os cadernos aqui’’, disse o secretário petista. Para ele, a atitude foi ‘‘frívola e irresponsável, contrastando profundamente com as excelentes relações que o PT tem mantido com o embaixador inglês no Brasil’’.
Segundo Garcia, as declarações do ministro resultam de uma ‘‘operação de propaganda’’ do governo de Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Não tenho dúvida de que houve do governo brasileiro o propósito de manipular o ministro e que ele se prestou a esse papel, no mínimo por ingenuidade ou irresponsabilidade’’, acusou o coordenador de Lula.
O secretário diz que existe uma ‘‘orquestração internacional de todos os que se sentem ameaçados por um eventual governo de esquerda’’. ‘‘Estamos convencidos de que um governo Lula sinalizaria mudanças significativas no cenário internacional.’’
A nota de repúdio às declarações de Peter Mandelson, distribuída pelo PT, qualifica o ministro inglês de ‘‘vulgar propagandista de uma nebulosa terceira via, um indiscutível marqueteiro de FHC, tamanha foi sua postura bajulatória’’.
Bolsa-escolaAo mesmo tempo em que se envolvia com a Grã-Bretanha, o PT não tirou os olhos da África do Sul. Ontem, a primeira-dama daquele país, Graça Machel, recebeu o governador do Distrito Federal, Christovam Buarque (PT), que sugeriu a adoção do programa bolsa-escola em Moçambique e nos países do continente africano. ‘‘A idéia é extremamente interessante, mas é preciso conhecer o seu funcionamento melhor’’, afirmou a primeira-dama.
O governador da capital federal sugeriu à Graça Machel que leve o programa para Moçambique como uma iniciativa para frear o processo de migração para a África do Sul. ‘‘Também sugeri a ela que fosse a madrinha do programa para todo o continente’’, comentou Buarque ao sair do encontro. Esse trabalho, explicou, culminaria na criação de um organismo que daria assento a diversas entidades para viabilizar o custeio da idéia.

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