Lula rebate críticas de FHC e diz que pegou país 'quebrado'
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terça-feira, 17 de junho de 2003
Agência Estado 
Pelotas - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ontem às críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à política econômica do atual governo afirmando que recebeu do governo anterior o Brasil ''quebrado''. ''O Brasil estava quebrado e alguém vai ter que salvar este País'', disse Lula durante visita à 11 na Feira Nacional do Doce (Fenadoce), em Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Ele acrescentou que quem hoje critica a política econômica ''com muita facilidade'' não o fazia em dezembro, quando Fernando Henrique ainda era presidente e, segundo Lula, havia dúvidas sobre a capacidade de o Brasil dar a volta por cima. Mais uma vez, Lula decidiu abandonar o discurso escrito e falar de improviso tirando o microfone do pedestal para, segundo ele, ter uma conversa tête-à-tête com seus companheiros.
Durante seu discurso, o presidente foi vaiado por cerca de 100 sindicalistas e servidores federais contrários à reforma da Previdência. O grupo representava cerca de um quinto da platéia de aproximadamente 500 pessoas. As vaias se misturavam aos aplausos e palavras de apoio a Lula.
Lula queixou-se das cobranças que tem sofrido dizendo que quem reclama quer que seu governo faça em cinco meses mais do que os antecessores fizeram em 40 anos. Lula reafirmou seu compromisso com as reformas. ''Não quero a unanimidade. Quero o bom-senso'', afirmou. Disse que as divergências fazem parte da democracia. Defendeu também a reforma sindical dizendo que tem muito sindicato que vira ''aparelho'' de uma minoria e que isso precisa mudar.
Sobre a reforma da Previdência, argumentou que o objetivo é aproveitar ao máximo potencial dos servidores públicos que atualmente se aposentam, segundo ele, em idade ainda em condições de muito produzir.
Num claro recado a Fernando Henrique, Lula disse que aprendeu a fazer política não na universidade, mas no chão da fábrica. Acrescentou que prefere falar a verdade a iludir o povo fazendo promessas falsas como faz a maior parte dos políticos.


