São Paulo Luiz Inácio Lula da Silva, provável candidato do PT à Presidência, tem na ponta da língua a resposta para os adversários que tentarem reforçar a rejeição a seu nome batendo na tecla da crise argentina. ‘‘Antes que governistas brasileiros festejem o fracasso da coligação de centro-esquerda da Argentina, convém esclarecer que a aliança da União Cívica Radical com a Frepaso não deu certo, entre outras coisas, porque resolveram jurar fidelidade ao modelo neoliberal e enverederam pelo oportunismo da continuidade sem continuísmo’’ , diz.
O petista admite que ‘‘não era fácil’’ acabar com o regime da conversibilidade e deixar o peso flutuar, enquanto mais da metade da população tinha dívidas em dólar. Observa, porém, que só a mudança de rumo poderia ter evitado o colapso.
‘‘Agora não adianta chorar o leite derramado’’, constata Lula, para quem é preciso extrair ‘‘lições’’ da crise no país vizinho. ‘‘Se a Argentina foi o primeiro aluno da classe da escola neoliberal, administrada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) no subcontinente, o Brasil continua sendo o segundo.’’ É com argumentos assim que Lula e os dirigentes do PT pretendem rebater possíveis comparações com o governo de centro-esquerda que levou a Argentina à falência.

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