Lula quer união entre PT e PMDB no Paraná
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Leandro Donatti 
Marcelo AlmeidaLula: o candidato do PT à presidência da República deixa claro seu interesse de apoiar Requião no ParanáO pré-candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu ontem em Curitiba a união do PMDB e PT na disputa em torno do Palácio Iguaçu. Para não melindrar as prévias do dia 4 de abril, organizadas com a intenção de escolher candidato próprio ao governo, o sindicalista diz que o PT deve continuar o processo e aguardar a convenção nacional do PMDB, em junho, para formalizar possível acerto com o grupo dissidente comandado pelo pré-candidato ao governo, senador Roberto Requião. Nas entrelinhas, Lula deu a entender que só depois da convenção nacional é que o quadro político no PMDB ficará claro e que estará definitivamente confirmada a saída de Requião do páreo presidencial.
Defendo uma aliança com o Requião. E na medida que esse acordo não se consolida, esse processo de prévias deve prosseguir, declarou o dirigente, que encontra-se com o senador no domingo, no Rio. Lula afirmou que a união com o PMDB é estratégica para a disputa presidencial que se esboça e que está fundamentada numa política de bom senso. O jogo que estamos enfrentando não é pequeno. Não podemos ficar brincando (nos estados). Precisamos montar um exército para assumir o governo, avaliou o dirigente, num apelo indireto em prol de um sacrifício dos setores do PT paranaense que trabalham pelas pré-candidaturas do deputado federal Nedson Micheleti, e da socióloga Milena Martines.
Assim como no Paraná, Lula deixou claro que a sua vontade é que o PT do Rio de Janeiro abra mão de candidatura própria - a de Vladimir Palmeira - em favor da de Anthony Garotinho, para consolidar a aliança com o PDT do ex-governador do Rio Leonel Brizola. O acordo Lula-Brizola foi abalado na última quarta-feira, quando setores petistas fluminenses divulgaram panfleto sem identificação, defendendo a candidatura de Palmeira e tecendo críticas ao comando nacional do PDT, dirigido por Brizola.
O pré-candidato do PT à presidência sinalizou ainda que ceder espaço em alguns momentos torna a briga com o presidente Fernando Henrique mais competitiva. Já temos 25% das preferências, sem fechar este acordo com o PDT, observou. Lula descartou novamente a possibilidade de desistir de sua pré-candidatura. Eu sou o melhor candidato para concorrer. Eu disse meses atrás que não criaria obstáculos para uma aliança de centro-esquerda, mas o nome deste candidato não apareceu. Estou e sou candidato em campanha, assinalou.
Lula veio ao Paraná a convite do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e por volta das 19 horas, teve uma reunião com lideranças do Movimento na Assembléia Legislativa.


