Lula quer ''relação leal'' com a mídia
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quarta-feira, 07 de abril de 2004
Demétrio Weber<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, ao receber dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que gostaria que o governo deixasse para o País o exemplo de ter ''uma relação leal'' com os meios de comunicação. ''Quando eu digo leal, é a relação em que, em nenhum momento, o governo deve pedir para um jornalista falar bem dele e, em nenhum momento, um jornalista deve falar mal, simplesmente, porque quer falar mal'', afirmou.
A declaração foi uma tentativa de consertar o que havia dito logo antes o chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República, Luiz Gushiken, que defendera a divulgação de fatos positivos pelos meios de comunicação social, criticando, indiretamente, a imprensa por fixar-se na exploração do contraditório.
''A exploração do contraditório, muitas vezes, pode fomentar a discórdia, conflitos de egos, quando, na verdade, são apenas disputas de idéias normais num processo de debate'', disse Gushiken. ''Acho que o Brasil está preparado, quer dizer, os leitores, os telespectadores, os ouvintes estão ansiosos para saber aquilo que germina em termos de coisas boas e este País está cheio de coisas boas. Mas é preciso que essa janela para o mundo, que tem vocês como elemento fundamental, possa oferecer isso.'' Ele concluiu: ''No estágio brasileiro, acho que o critério importante é o critério da agenda positiva. Acho que o povo brasileiro tem necessidade de saber aqueles empreendimentos positivos que a sociedade está oferecendo.''
Lula recebeu cerca de 30 dirigentes da Fenaj e de Sindicatos de Jornalistas Profissionais de 24 Estados, por ocasião do Dia do Jornalista. Do encontro, na sala de audiências anexa ao gabinete dele, participaram também cerca de 30 repórteres que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto. Com Lula e Gushiken, estavam os ministros do Trabalho, Ricardo Berzoini, e chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, além do secretário de Imprensa e Divulgação, Ricardo Kotscho, e do porta-voz André Singer.
A presidente da Fenaj, Beth Costa, pediu ao presidente da República que envie ao Congresso um projeto de lei propondo a criação do Conselho Federal de Jornalismo. Como prevê a criação de uma autarquia, só a administração federal pode apresentar a proposta. Berzoini informou que a idéia de criação do conselho, que funcionaria nos moldes do Conselho Federal de Medicina (CFM), fiscalizando o exercício profissional da categoria, está em análise no ministério.
O presidente comentou as agruras do ofício de jornalista com a apuração de reportagens que, muitas vezes, não são publicadas no dia seguinte. Entre as dificuldades, comentou que o jornalista ''briga com gente, xinga o presidente, é xingado pelo presidente''. Aí, em tom de brincadeira, corrigiu: ''O presidente nunca xinga.''
Lula lembrou também que as universidades jogam uma enxurrada cada vez maior de novos profissionais na praça e que ''emprego está cada vez mais difícil''. Observou, a propósito, que a categoria teve mais força no movimento sindical, mas que a ''espinha dorsal'' foi quebrada em 1979, quando, apesar de uma greve ferrenha em São Paulo, os jornais continuaram sendo editados.


