O presidente de honra do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em São Bernardo do Campo (SP) que aceitará ‘‘com prazer’’ prestar depoimento à Polícia Federal caso seja convocado para falar sobre a denúncia da existência de uma conta bancária de membros do governo no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. ‘‘Só acho que a PF deveria chamar Paulo Maluf e Lafayete Coutinho’’, disse.
Lula soube sobre a possibilidade de ser convocado pela PF por meio dos jornalistas durante assembléias nas portas de fábrica, no ABC. Aproveitou, então, para explicar o caso aos trabalhadores da Ford. Ele disse, do alto do carro de som, que foi procurado por Coutinho, ex-presidente do Banco do Brasil, para que o PT fizesse a denúncia pública da existência dessa conta bancária, que pertenceria ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ao governador de São Paulo, Mário Covas, ao ministro da Saúde, José Serra, e ao ministro das Comunicações já falecido, Sérgio Motta.
‘‘Eles queriam usar o PT para fazer a denúncia antes das eleições para o Maluf derrubar o Covas, mas o PT não se presta a isso’’, destacou. ‘‘Mas, passadas as eleições, o assunto veio à tona por meio da imprensa e eu acho a coisa séria’’, completou Lula.
Para ele, o presidente Fernando Henrique e demais políticos acusados deveriam, se as denúncias são infundadas, processar quem os acusou. ‘‘Eu entrei na Justiça com vários processos contra jornais e emissoras durante a campanha; por que eles não fazem o mesmo?’’, questionou. ‘‘De qualquer forma, quem deveria depor é o Maluf, que mandou o Lafayete Coutinho me procurar’’, completou.

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