Cuzco, Peru- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer aproveitar a 17 Reunião de Cúpula do Grupo do Rio, que começa hoje em Cuzco, no Peru, para transformar o grupo de países da América Latina e Caribe em bloco privilegiado de enfrentamento à ''globalização desigual e crescente desnível''. O recado, que consta de um telegrama enviado por Lula ao presidente do Peru, Alejandro Toledo, foi reafirmado ontem ao anfitrião do encontro.
Defensor incansável do Mercosul - bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, Lula insiste na aliança com os latino-americanos para mudar o padrão de relacionamento com os Estados Unidos, especialmente na negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Na prática, o presidente quer formar um bloco contra a Alca, considerada por ele como uma ''política de anexação''.
Ao chegar a Cuzco, Lula disse ter grandes expectativas em relação ao encontro, que dura até sábado. ''Aqui, buscaremos encontrar denominadores comuns para tratar, dentro do espírito de unidade e colaboração, dos grandes temas internacionais de interesse das nações da América Latina e do Caribe'', afirmou. Ao lado de Toledo, de quem recebeu um bastão preto e dourado, símbolo do império inca, ele completou: ''É a ocasião para passarmos em revista os acordos da ambiciosa agenda de cooperação que os nossos dois governos vem tomando para aproximar ainda mais o Peru do Brasil.''
Mais tarde, em encontro reservado com Toledo, Lula destacou que o Grupo do Rio deve manter estreito diálogo sobre os problemas que afetam o bem-estar, a segurança e a economia do chamado Terceiro Mundo. Seu argumento: o conceito de estabilidade da moeda não pode ser dominante nas relações entre os países.
''Precisamos dar respostas regionais eficazes aos desafios de um mundo marcado pela globalização desigual.'' O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe Velez, quer incluir na agenda do debate a terrível situação de seu país, dominado pelo narcotráfico.
''Com terrorismo, não há possibilidade de crescimento econômico e, portanto, a luta contra o terrorismo é a luta contra a miséria'', destacou.

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