Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu acabar com o que chamou de ''paternidade dos programas sociais''. A partir de agora, a única logomarca que aparecerá no material de divulgação é a do governo federal. Essa foi uma das decisões tomadas ontem pela Câmara de Política Social, da qual participaram Lula e os ministros da área econômica e social. O anunciado ''fim da paternidade'' é mais um recado aos ministros para que não disputem internamente os programas do que propriamente uma ação de governo. Representa ainda um avanço na direção da unificação dos programas sociais.
Os programas continuarão a ser administrados pelos mesmos ministros, mas eles não terão autonomia para decidir novos rumos sem consultar a Câmara como, por exemplo, mudar o formato do benefício ou o público atendido. Por isso não poderão - pelo menos em tese -aparecer na mídia defendendo o ''seu programa''. Ou seja: o Bolsa-Escola (maior programa social do País) continuará a ser administrado dentro do Ministério da Educação, mas suas diretrizes estarão sujeitas à Câmara. O mesmo ocorrerá com relação ao Bolsa-Alimentação, o programa de complementação de renda coordenado pela pasta da Saúde. Tocado pelo ministro José Graziano (Segurança Alimentar), nem o Fome Zero escapará das novas regras.
Recentemente, o ministro Cristovam Buarque (Educação) sugeriu que o valor do Bolsa-Escola, que paga R$ 15 por criança em idade escolar até o limite de R$ 45 por família, fosse elevado para R$ 50 como uma forma de fazer o que ele chamou de ''Fome Zero Já''. Para ele, o programa atingiria mais rapidamente a população carente.
Após a última reunião da Câmara, no mês passado, a ministra Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social) saiu falando que foi a ''única a apresentar propostas'' e que seria a responsável pela avaliação dos programas coordenados por outros ministérios. Se fosse hoje, a ministra não poderia dizer que os programas são dessa ou daquela pasta. Tudo é governo federal. Um dos participantes da reunião classificou a estratégia de ''golpe de mestre'' por frear a disputa entre os ministros.

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