Lula quer Ciro no palanque do PT
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domingo, 10 de fevereiro de 2002
Vera Rosa Agência Estado 
Depois de namorar os liberais da Universal e dar as mãos para o arquiinimigo Orestes Quércia (PMDB), o PT tenta atrair o ex-ministro Ciro Gomes, do PPS. Escaldado por três derrotas em campanhas presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva avisou aos companheiros, na semana passada, que, de agora em diante, fará as coisas do seu jeito. Não vou entrar neste jogo para perder, disse, defendendo alianças rumo ao centro. Para Lula, o PT que hoje completa 22 anos precisa aprender uma lição: chega de sectarismo político.
Vinte e dois anos depois de sua fundação, no dia 10 de fevereiro de 1980, o partido enfrenta hoje seu maior desafio para chegar ao Palácio do Planalto. Motivo: se não ganhar desta vez, a crise será inevitável. O PT não pode passar a vida toda como a consciência crítica da realidade, admite Lula.
Na tentativa de conquistar o eleitorado, o PT deu uma guinada considerável nos últimos anos: o partido que em 1989 defendia o calote na dívida externa hoje prega a renegociação. A sigla que há 13 anos só admitia alianças com legendas de esquerda agora está atrás do PMDB e do PL. O teclado de computador é mais atual do que a foice e o martelo, brinca o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE).
Neste cenário, apesar das estocadas mútuas entre Lula e Ciro, muito se fala numa aproximação. A candidatura do ex-ministro está paralisada e, no diagnóstico do Q.G. petista, tende a definhar ainda mais, mesmo com o prometido apoio do PTB e do PDT de Leonel Brizola.
Vamos procurar o Ciro depois do Carnaval, garante o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP). Não moveremos uma palha para que ele desista, mas precisamos conversar. O deputado José Genoíno, candidato do PT ao governo paulista, apóia a iniciativa. O jogo das alianças é pesado, mas temos de entrar neste tabuleiro, adverte. A esquerda não pode ser o chantilly do bolo das elites.
Até agora, por enquanto, tudo não passa de sonho de uma noite de verão. Até porque não se sabe o que o PT teria para oferecer ao PPS. As negociações mais adiantadas para vice na chapa petista são com o senador José Alencar (PL-MG). Mas temos palanques juntos com o PPS em vários Estados, avisa Dirceu.
O presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), diz que ele e Ciro estão dispostos ao diálogo. Mesmo assim, mostra que ainda não saiu do ringue: Só acho que o PT tem de se preocupar mais com as pesquisas, porque começa sempre na frente e depois é a crônica da derrota anunciada. Freire não diz com todas as letras, mas insinua que se o candidato do PT fosse Eduardo Suplicy (SP) o acordo seria mais fácil. De qualquer forma, Suplicy vai disputar uma prévia com Lula no dia 17 de março. Se eu ganhar, Lula pode ser meu vice e vice-versa, diz ele, com sua conhecida persistência.


