Lula quer Ciro com oposições em 98
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Meno maleLula: Eu prefiro ele (Ciro Gomes) como amigo do que como inimigoO presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu ontem a posição de presidenciável e admitiu que gostaria de ter o ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes, do PSDB, como aliado em 98. Segundo Lula, mesmo que Ciro não deixe o PSDB, poderá apoiar uma eventual chapa de oposição à Presidência da República. As pessoas podem estar no PSDB, não serem aliadas 100%, mas serem aliadas 70% ou 50%, como foi o Juthay Magalhães (que é do PSDB e fez uma composição com o PT quando disputou o governo da Bahia em 1994), declarou Lula antes da abertura oficial do 11 º Encontro Nacional do PT. Quem sabe o Ciro possa ser um aliado 50%, pois eu prefiro ele como aliado do que como inimigo, completou.
Lula considera que o ex-ministro ainda não se lançou na corrida presidencial e assim pode vir a apoiar o PT na disputa à sucessão de Fernando Henrique. Eu tenho conversado com o Ciro e ele tem me dito que concorrerá ao cargo de governador do Ceará ou irá buscar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSDB.
A tese de Lula, porém, é rejeitada por integrantes da cúpula da legenda. O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, um dos nomes cotados para disputar com Lula a candidatura do partido, não acredita na dobradinha Lula e Ciro. Cabo eleitoral de Dirceu na eleição para a presidência do PT, Genro adotou o mesmo discurso do deputado federal Milton Temer, candidato de oposição à liderança nacional do partido: Para que Ciro seja amigo do PT ele precisa parar de bater no PT. O ex-prefeito considera que o ex-ministro tem estilo messiânico de fazer política, semelhante ao do ex-presidente Fernando Collor. Teria de ser outro Ciro para ficar com a gente, declarou Genro. Para Milton Temer, o ex-ministro deve concorrer ao cargo de presidente da República, mas para dividir os eleitores do outro lado.
Em entrevista, Lula falou pela primeira vez de forma clara que, pessoalmente, gostaria de disputar com o presidente Fernando Henrique as eleições do próximo ano. Eu quero enfrentar FH neste momento, pois ele não pode mais mentir para a sociedade com aquele discurso de 1994, disse. Para cobrar dele a ausência de políticas sociais e por ter assumido compromissos com os setores ligados ao poder econômico.
O líder do PT defendeu que a direção nacional procure outras personalidades políticas como o senador Roberto Requião (PMDB-PR). Com relação ao ex-presidente da República, Itamar Franco, Lula afirmou que ele precisa definir em qual partido irá ingressar e qual será o seu destino eleitoral. Sem citar nomes, ele acredita que vários peemedebistas e tucanos descontentes poderão sair de seus partidos e, por consequência, apoiar o candidato da oposição.
Lula disse que não está com pressa para se lançar candidato. O que pode acontecer é que aqueles que já estão correndo sozinhos podem ficar como naquela fábula em que o coelho acaba perdendo para a tartaruga, declarou. Segundo ele, FHC está sendo considerado invencível, mas a situação pode se reverter. Eu era invencível em 1994 e perdi, disse. A decisão sobre a sua candidatura poderá ser tomada pela militância em dezembro ou março de 98, de acordo com Lula.
Lula disse que a disputa não pode provocar uma guerra de tendências. O inimigo está fora do PT, disse.


