Lula quer 'aliança' com Legislativo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Raphael Gomide<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem na capital carioca que objetiva encerrar uma suposta ''disputa de vaidades'' entre os poderes Executivo e Legislativo, que, segundo ele, prejudica o País.
''Quero estabelecer uma relação efetiva entre o Executivo e o Congresso Nacional. O presidente Fernando Henrique e os ministros criticam os deputados porque eles não fazem o que o governo quer'', comentou Lula, ressaltando que mostrará como um presidente pode lidar com o Congresso na democracia. ''Já conhecemos, por experiência, que se com ele (Congresso) é ruim, sem ele não há democracia.''
O candidato petista disse que, para governar, vai precisar de outros partidos políticos: ''É impossível governar o Brasil sozinho''. Ele explicou que não abrirá mão de ouvir os diversos setores da sociedade, em encontros frequentes. ''No dia em que este País tiver um presidente da República que faça o papel de maestro, que se reúna com governadores, prefeitos, empresários, sindicalistas, com a CUT, com a Força Sindical, os trabalhadores sem-terra, ele vai começar a dar certo'', afirmou.
Lula esteve no Rio para receber o apoio formal de parte do PMDB que abandonou a candidatura do candidato José Serra (PSDB). ''Na nossa festa, mesmo quem chegar quando ela já tiver terminado, será bem-vindo.'' Foi dessa forma que o petista recebeu os dissidentes peemedebistas, que, a oito dias das eleições, declararam apoio a sua candidatura.
Cerca de 150 integrantes do PMDB, liderados pelo secretário-geral da executiva estadual, deputado estadual Jorge Picciani, lançaram um manifesto de apoio a Lula. Entre os dissidentes estão outros quatro deputados estaduais, o prefeito de Itatiaia e cerca de 60 vereadores da Baixada Fluminense.
Lula lembrou a importância do MDB (antigo PMDB) na formação do PT: ''Grande parte dos políticos petistas começou fazendo política no PT, mas grande parte também já fez política no MDB. Foi com gente oriunda do MDB que foi possível criarmos o PT.''


