Lula propõe 'parceria' para reeleger Requião
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de novembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao PMDB tudo o que o partido queria ouvir para se manter na base de apoio do governo no Congresso. Em jantar com 16 dos 23 senadores peemedebistas na sexta-feira, do qual participaram também os dois ministros do partido - Eunício Oliveira, das Comunicações e o anfitrião Amir Lando, da Previdência Social - Lula surpreendeu os políticos com a defesa objetiva de um governo de coalizão e a oferta de mais um ministério para a legenda.
''Cada partido deve ocupar um espaço correspondente a seu tamanho. Dois ministérios para o PMDB são pouco'', disse Lula, segundo relato do senador Ney Suassuna (PB), que teve o cuidado de anotar no verso de alguns de seus cartões de visita as frases mais ''preciosas'' do presidente. E isto não foi tudo. Além de enterrar de vez a idéia da reeleição para os postos de comando do Congresso, abrindo espaço à candidatura do líder Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado, Lula propôs a tão reclamada ''parceria estratégica'' entre petistas e peemedebistas nos Estados, com o PT apoiando ''candidatos fortes'' do PMDB, como os governadores Roberto Requião (PR) e Luiz Henrique da Silveira (SC), que disputarão o segundo mandato.
Tudo isso foi proposto com a garantia de liberdade ao PMDB para lançar candidato à presidência contra o PT em 2006. ''Não tenho interesse por trás dessa parceria'', disse o presidente, em defesa da coalizão em nome da governabilidade.
Segundo os participantes da conversa, porém, ele fez uma ressalva: a de que o PMDB deve, sim, ter um candidato ao Palácio do Planalto, mas se tiver um nome nacional com força política real para vencer a disputa. Nada de entrar em aventuras, recomendação que vale também para o Planalto. ''Não entrarei nunca numa aventura de deixar de fazer o necessário porque é impopular'', comprometeu-se o presidente, ao lembrar que a força do Plano Cruzado elegeu 306 constituintes e 23 governadores do PMDB no governo Sarney, mas o plano fracassou por razões eleitorais.


