Recife- Empolgado com a disposição demonstrada por empresários e setores da sociedade civil de ajudar o próximo governo, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que quer pôr em prática durante seus quatro anos de mandato um ''mutirão de solidariedade''. Tentando deixar claro que combater os problemas do País ''não é coisa fácil'', Lula disse que, a partir do dia 1º de janeiro, o trabalho não será apenas do presidente e de seus ministros, mas também da população.
''Nunca vi na minha vida um povo com tanta vontade de participar'', afirmou ontem o presidente eleito, num breve discurso que fez na prefeitura do Recife, onde passou a manhã desta sexta-feira e o início da tarde fazendo contatos políticos. ''As pessoas encostam perto de mim e não pedem nada, apenas dizem 'eu quero ajudar, ser voluntário, trabalhar', e é isto que vamos fazer: um mutirão de solidariedade, para provar que é possível melhorar a vida de nosso povo e que a gente possa reconstruir o País'', completou Lula.
O presidente eleito voltou a dizer que ainda não fechou os nomes de seu ministério. Segundo ele prometeu nesta semana, a lista de seu primeiro escalão será anunciada publicamente até a primeira quinzena de dezembro. ''Ainda não escolhi nenhum ministro e vou escolher quem o Brasil tem de melhor para cada área, seja do meu partido ou não'', disse Lula. Os nomes a serem anunciados, afirmou o presidente eleito, terão ''sensibilidade do ponto de vista político''. ''Eu não acredito que o Brasil possa ser governado só pela razão estatística, esse País tem de ser governado com o coração.''
Para tentar tocar o ''coração'' de seu primeiro escalão, o presidente eleito voltou a repetir que levará todos seus ministros para uma viagem ao semi-árido nordestino e a outras regiões do País que estão em condições precárias, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas, e favelas dos grandes centros urbanos.

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