O candidato da frente de oposição à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ontem que se for eleito poderá criar impostos no País para assegurar os recursos necessários ao assentamento de 1 milhão de famílias no período de quatro anos. ‘‘Iremos criar os recursos de acordo com a necessidade’’, afirmou, em entrevista coletiva após divulgar as diretrizes básicas para a agricultura de seu programa de governo. Lula disse que, se faltarem recursos para atingir essa meta, vai ‘‘procurar dinheiro’’.
O candidato disse que poderá seguir o exemplo do presidente Fernando Henrique, ‘‘que criou o Proer, com muita facilidade, para salvar os bancos’’. ‘‘Nós poderemos criar um Proer para assentar 1 milhão de pessoas no campo’’, defendeu. ‘‘Da mesma forma que ele (o presidente) criou a CPMF (o imposto do cheque), para recolher U$S 7 bilhões que não foram para a saúde, nós poderemos criar um para a agricultura’’. Depois, pediu aos jornalistas que excluíssem o exemplo da CPMF. ‘‘Eu citei um exemplo’’, alegou. ‘‘Não coloquem isso aí que eu sou contra a CPMF.’’ Ele explicou que estava disposto a buscar uma forma de encontrar dinheiro, ‘‘através de uma política tributária, através da cobrança de impostos, atraves do ITR (Imposto Territorial Rural), através de alguma coisa’’.
Há pouco mais de uma semana, quando falou aos prefeitos de Minas Gerais, Lula prometeu reduzir impostos, como o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e a Lei Kandir, além de acabar com as isenções fiscais.
Com a meta de assentar 1 milhão de pessoas em quatro anos, Lula tenta contestar o presidente FHC, que disse ser impossível alcançar essa meta em um único mandato, como havia prometido fazer na sua primeira campanha à presidência. Segundo ele, o alvo possível é o que foi alcançado pelo governo, de 300 mil pessoas. ‘‘O presidente não disse a verdade’’, rebateu.
Lula e seu vice, Leonel Brizola, divulgaram ontem as metas da agricultura na instalação do comitê da frente em Brasília, que funcionará na sede do PDT. Foram, em seguida, participar do 5º Grito da Terra, em frente ao Congresso - que atraiu 2 mil pessoas - mas o carro dos dois quebrou, obrigando-os a pegar carona com o governador do DF, Cristóvam Buarque.
No local, Lula leu a ‘‘Carta-compromisso com a agricultura brasileira’’. As propostas do documento ‘‘zeram’’ tudo o que foi feito até hoje no País. Ele promete fazer uma ampla revisão da concepção e da prática das políticas agrícolas e agrária, ‘‘tendo em vista assegurar a esse setor a decisiva contribuição ao processo de desenvolvimento’’.
Outro compromisso é o de ‘‘superar definitivamente essa meta ridícula dos 100 milhões de toneladas de grãos, expandindo também nossas exportações de carnes e outros produtos com maior valor agregado, como sucos concentrados e frutas tropicais’’. O candidato também se comprometeu a ‘‘erradicar a praga da fome, assegurando não apenas a estabilidade da moeda mas também a estabilidade econômica, sem o que não será possível assegurar a segurança alimentar do nosso povo’’.
Para Lula, a agricultura brasileira vem repetindo ‘‘sucessivos desempenhos medíocres, alcançando, nas melhores safras, 80 milhões de tonelas de grãos’’. ‘‘Não há um programa consistente apoiado num conjunto de medidas que contemple tanto a agricultura familiar, base fundamental da produção de alimentos, como os setores médios e grandes da escala produtiva nacional, mais voltado para produtos de exportação.’’
Segundo ele, a proposta não está concluída e quem quiser poderá apresentar sugestões. Pode, por exemplo, sugerir formas para alcançar a meta de expandir 1,5 milhão de hectares irrigados no semi-árido nordestino ou a promover a reciclagem e capacitação dos técnicos de extensão rural. Ou ainda propor formas de desburocratizar o crédito para pequenos e médios produtores. O candidato prometeu desenvolver todo o programa em co-participação com o MST, a Contag, com empresários e trabalhadores.Ed Ferreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)SímboloLula recebe uma rosa de Brizola, na inauguração do comitê de Brasília: prioridade à agriculturaPetista defende criação de instrumento semelhante ao usado para os bancos para assentar 1 milhão de pessoas no campo

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