Lula promete lançar programa econômico e critica a elite
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terça-feira, 02 de janeiro de 2007
Folhapress 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem lançar neste primeiro mês do seu segundo mandato o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para destravar a economia. Segundo ele, o pacote deve estimular e ordenar o investimento produtivo. Sei que o investimento público não pode, sozinho, garantir o crescimento. Porém, ele é decisivo para estimular e mesmo ordenar o investimento privado. Estas duas colunas, articuladas, são capazes de dar grande impulso a qualquer projeto de crescimento. Para atingir estes objetivos, estaremos lançando, já neste primeiro mês de governo, um conjunto de medidas, englobadas no PAC, disse ele durante discurso no Congresso.
No discurso, Lula afirmou que o país não pode continuar como uma fera presa numa rede de aço invisível, debatendo-se, exaurindo-se, sem enxergar a teia que o aprisiona. É preciso desatar alguns nós decisivos para que o país possa usar a força que tem e avançar com toda velocidade. O presidente aproveitou para afirmar que é preciso firmeza e ousadia para mudar as regras necessárias e avançar. Não podemos desperdiçar energias, talentos, esperanças.
Lula disse que não abrirá mão da responsabilidade fiscal na busca do crescimento. Sei que o crescimento, para ser rápido, sustentável e duradouro, tem de ser com responsabilidade fiscal. No entanto, afirmou que é preciso combinar essa responsabilidade com mudanças de postura e ousadia na criação de novas oportunidades para o país. É necessário, igualmente, que este crescimento esteja inserido em uma visão estratégica de desenvolvimento que nosso país havia perdido. É preciso uma combinação ampla e equilibrada do investimento público e do investimento privado. Para lograr este equilíbrio, temos de desobstruir os gargalos e de romper as amarras que travam cada um destes setores.
Segundo ele, essa visão estratégia de crescimento passa pela ampliação e aceleração do investimento público, desoneração e incentivo ao investimento privado. Durante seu segundo discurso de posse, o presidente Lula destacou mais uma vez seu compromisso com as populações mais pobres e criticou quem o acusa de realizar um governo populista. Nosso governo nunca foi, nem é populista. Este governo foi, é e será popular.
Em outros trechos do discurso, ressaltou que governar para todos é meu caminho, mas defender os interesses dos mais pobres é o que nos guia nesta caminhada; e complementou: (...) Nossa política social, que nunca foi compensatória, e sim criadora de direitos, será cada vez mais estrutural. No entanto, reconheceu a necessidade da criação de alternativas de trabalho para os beneficiários de seus programas de transferência de renda.
Lula destacou que o Brasil hoje ainda é um país igual em termos de desigualdade social, mas que, após seu primeiro mandato, tornou-se um país diferente, pois essas desigualdades diminuíram. Não esqueceu de ressaltar o apoio popular que recebeu durante a campanha eleitoral, dizendo que fora reconduzido à Presidência pela vontade majoritária do povo brasileiro. Disse, ainda, em critica à elite, que, aqueles que tentaram desqualificar a opção popular não foram capazes de entender a vontade de mudança, um dos trechos mais aplaudidos do discurso.
O povo fez uma escolha consciente. Mais do que um homem, escolheu uma proposta, optou por um lado. Não faltaram os que, do alto de seus preconceitos elitistas, tentaram desqualificar a opção popular como fruto da sedução que poderia exercer sobre ela o que chamavam de distribuição de migalhas. Os que assim pensam não conhecem e não entendem este país. (...) O que distribuímos -e, mais que isso, socializamos- foi cidadania, disse.
Lula não esqueceu de colocar na pauta a questão ética, muito vulnerável durante os quatro anos de seu primeiro governo, com episódios como o mensalão, o dossiê anti-tucanos e a CPI dos Correios. No entanto, assim como durante a campanha eleitoral, Lula colocou seu mandato como aquele em que houve o maior combate à corrupção. O Brasil ainda precisa avançar em padrões éticos e em práticas políticas. Mas hoje é muito melhor na eficiência dos seus mecanismos de controle e na fiscalização sobre seus governantes. Nunca se combateu tanto a corrupção e o crime organizado. Muita coisa melhorou na garantia dos direitos humanos, na defesa do meio-ambiente, na ampliação da cidadania e na valorização das minorias. (...) Nada mais ético do que a promoção do bem comum e da Justiça.


