Lula promete governo para os pobres
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sexta-feira, 26 de junho de 1998
João Domingos Agência Estado 
O candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em discurso na Convenção Nacional do PSB em Brasília, que decidiu o apoiar, que, se vencer a eleição, vai governar para os pobres. Os ricos que me perdoem, mas nós vamos governar para os pobres, pela primeira vez. Lula acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de agir como um ditador. Disse: Uma pessoa começa a se transformar em ditador quando acha que não precisa mais conversar com ninguém.
A convenção nacional do PSB decidiu por aclamação dar o apoio a Lula e ao candidato a vice Leonel Brizola (PDT). Brizola está magoado com o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e recusou-se a viajar até Brasília para receber os aplausos dos socialistas que o escolhiam candidato. Brizola não aceitou o veto de Arraes à candidatura de José Queiroz (PDT) para a vaga de senador na composição pernambucana. O governador escolheu para o lugar o petista Humberto Costa.
Lula admite que a frente das oposições tem problemas, mas disse acreditar haver solução para eles. Temos problemas nos estados: muito ranço, ódio, tanta coisa, afirmou. A gente vai ter de engolir algumas coisas em nome de uma coisa maior. O candidato disse ainda, a respeito da crise: O Brasil tem tantos problemas, que a gente, unido e se beijando já vai ser difícil (de contornar); brigando e com biquinhos, imagine...
Depois, Lula afirmou estar otimista e que a campanha vai ser maior do que muitos imaginam porque será um caminho. Ele anunciou que vai buscar canais alternativos de divulgação dos projetos, nas igrejas católica e evangélicas. Terminou fazendo uma provocação: Não há Rede Globo que nos derrote. Referia-se ao segundo debate de 1989, com o então candidato Fernando Collor de Mello (PRN). Os petistas acusam a Rede Globo de Televisão de ter manipulado o debate, na edição do Jornal Nacional.
RespeitoAs críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governo foram muitas. Para Lula, Fernando Henrique repete o que Collor fazia com os usineiros (atacados por Collor, que, em segredo, fez um acordo benéfico a eles): O presidente xinga os deputados e, na calada da noite, reúne-se com eles; não respeita o Congresso. Lula continuou atacando o presidente. O dinheiro dado ao Banco Nacional, ao Econômico e ao Bamerindus poderia ter assentado 333 mil famílias de trabalhadores rurais, acrescentou o candidato do PT.
Aos que estão cobrando do PT um programa de governo, Lula disse que a experiência dos prefeitos e dos governadores dos partidos formadores da aliança de esquerda (PT, PDT, PSB e PC do B) é o ponto de partida e que, em breve, o projeto será divulgado porque há uma equipe trabalhando nisto.
Lula adiantou que, se eleito, não quer a estabilidade do capital externo; quer estabilidade com a indústria e com a geração de empregos. Quer investir na agricultura, na construção civil, na pequena e média propriedade e na pequena e média empresa. Lula disse ainda que não repetirá o governo de Fernando Henrique, que ofereceu, segundo ele, US$ 257 milhões para a General Motors montar uma fábrica no Rio Grande do Sul.


