Lula privilegiou capital, diz dom Geraldo
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006
Tânia Monteiro<BR>Agência Estado 
Mariana (MG) - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dom Geraldo Majella Agnelo, criticou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recordou as denúncias de corrupção contra seu governo e a opção do Planalto por privilegiar o capital. ''A preocupação pela economia deixou realmente para trás o que era mais importante'', declarou, ao comentar outra crítica que já havia sido feita pela CNBB, ao governo, de que o projeto de transformação foi substituído por projeto de poder. ''Não se pode só privilegiar o capital, o dinheiro. Tem de privilegiar o trabalho, o trabalho humano, o trabalho digno, e o trabalho para todos'', acrescentou.
Dom Geraldo Majella falou ainda da sua preocupação com a corrupção que vem sendo denunciada em diversos níveis do governo. ''Sem dúvida alguma preocupa porque nós não podemos conviver com a corrupção, ao ponto que ela chegou'', declarou o presidente da CNBB, lembrando que ''sempre há uma tentação''. Ao comentar como a corrupção hoje está ''difundida'', e o mau exemplo que ela traz questionou: ''ela é um mau exemplo para todos e especialmente para o próprio povo, que vendo que seus dirigentes estão tão assim envolvidos, como não se sentirão?''.
Para ele, ''mais do que nunca é preciso mudar a situação'' porque os dirigentes é que deveriam estar à frente do povo para buscar o bem comum. ''Qualquer um que venha, seja ele qualquer um, nós nos preocupamos com o futuro'', comentou.
Questionado se o presidente Lula é um dos principais responsáveis pela corrupção, dom Geraldo respondeu: ''Colocar toda culpa nele''. O presidente da CNBB recomendou ainda aos eleitores que verifiquem exatamente em quem votar e cobrem dos políticos suas ações. Para ele, os cidadãos e os eleitores não deviam só escolher ''por acaso'' um nome, mas deveriam participar.
Recomendou o voto ''com consciência''. ''Depois acompanhem o desenrolar do mandato cobrando, lembrando sempre, exigindo que se ponha em prática o mínimo necessário para o bem do povo''. Na opinião de dom Geraldo, os políticos não estão seguindo as últimas palavras ditas por dom Luciano e repetidas por Lula em seu discurso, de que não se esqueçam dos pobres. ''Não parece que estejam seguindo à risca porque esta situação de miséria e de pobreza é de alguma coisa que clama aos céus'', disse. ''Seria tão bom se, especialmente agora que se renovam os quadros de políticos, que a única e principal preocupação fosse com os pobres porque esta é a situação que está em todo o Brasil, onde mais de um terço da população vice abaixo da linha da pobreza''.
Ao ser lembrado que Lula insiste em seus discursos que foi o presidente que mais fez pelos pobres, dom Geraldo comentou: ''Era impossível que ele não tivesse feito alguma coisa. Mas nós esperamos muito mais''. Sobre o programa de governo apresentado por ele para um segundo mandato, dom Geraldo disse que não o leu ainda e não sabe exatamente o que ele trata sobre questão social. Ele acentuou que é fundamental para o próximo governo atacar ''as questões da educação, do trabalho, da dignidade da pessoa humana, especialmente, para que cada um tenha a sua vida, seu sustento, com dignidade, além da saúde porque temos ainda um precário tratamento de saúde''.


