O candidato derrotado do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Porto Alegre que para aprovar as medidas do ajuste fiscal o presidente Fernando Henrique Cardoso terá de ‘‘descer do pedestal, deixar a arrogância e a prepotência de lado’’ e precisará de ‘‘muita conversa’’.
Em entrevista concedida a uma emissora de rádio da capital do Rio Grande do Sul, onde esteve para cumprimentar Olívio Dutra (PT), eleito governador do Estado no segundo turno, no embate com o atual governador Antônio Britto (PMDB), Lula disse que, além da oposição, governadores eleitos da base aliada - entre eles citou Itamar Franco, em Minas Gerais, e Mário Covas, em São Paulo - serão vozes dissonantes em relação às pretensões do Palácio do Planalto.
‘‘Embora seja do PSDB, Covas tem feridas não expostas que contam definitivamente na política’’, notou. Para o petista, Covas não exibirá ‘‘a posição de submissão’’ do primeiro mandato, quando aceitou a imposição das regras do jogo comandadas pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Segundo Lula, Itamar não é o único inconformado com FHC entre os peemedebistas. Mencionou, entre eleitos e derrotados, Mão Santa, do Piauí - FHC apoiou Hugo Napoleão, do PFL - e Jáder Barbalho, no Pará, onde a simpatia presidencial foi para o eleito, o tucano Almir Gabriel. No PPB, registrou que Paulo Maluf também ‘‘sentiu-se traído’’ por FHC. A base governista ‘‘está profundamente magoada’’ com o Palácio do Planalto, de acordo com a interpretação do ex-candidato.
Neste quadro, Lula acha que FHC terá que arranjar um bom coordenador político e, também, dispor de muita disposição para conversar. Ele não acredita que o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), novo líder do governo, seja a pessoa mais indicada para a tarefa. ‘‘Teria que ser alguém com livre trânsito em várias áreas’’, avaliou. Lula disse que continuará trabalhando para consolidar a frente de esquerda, agregando a ela setores insatisfeitos do PMDB e do próprio PSDB.

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