Brasília - Com o diagnóstico de que a melhor campanha a embalar a candidatura da ministra Dilma Rousseff ao Planalto é a boa performance do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará mudanças sem traumas na Esplanada. A ideia é evitar a desaceleração de programas governamentais provocadas por ministros caídos de paraquedas.
Assim, o último ano de mandato será marcado pela ascensão do segundo escalão da Esplanada. O chefe de gabinete do Planalto, Gilberto Carvalho, confirma que os secretários-executivos da Justiça, Luiz Paulo Barreto, da Casa Civil, Erenice Guerra, dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, assumem o comando das pastas na reta final do governo, com a saída dos titulares que vão disputar as eleições.
Gilberto Carvalho relatou que Lula disse à equipe haver regras para a substituição dos ministros que disputam as eleições, com os secretários-executivos atuais assumindo as pastas. ''O presidente não quer de forma alguma que substituídos usem o ministério para campanha'', avisou o assessor. ''Ele (Lula) deixou claro: ''O novo responsável pelo ministério terá de prestar contas a mim e não para os antigos ministros'. É esta a linha do presidente'', relatou.
Sobre o futuro político do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que anteontem conversou sobre seus planos para 2010 com Lula, Carvalho diz torcer por uma candidatura ao governo de Goiás. ''Henrique Meirelles é um excelente candidato a governador, esta é a minha opinião'', afirma. Carvalho disse que a escolha do candidato da base passa pelo atual prefeito de Goiânia e aliado do Planalto, Iris Rezende, que apoia uma frente única para enfrentar o PSDB, de Marconi Perillo. No cálculo de Carvalho, o presidente do BC não é um candidato a vice na chapa presidencial encabeçada pela ministra Dilma.
Carvalho relata que a tendência do ministro da Justiça, Tarso Genro, é sair ainda em janeiro ou fevereiro para disputar o governo do Rio Grande do Sul. ''A tendência mesmo é que o secretário-executivo Luiz Paulo Barreto, que faz um bom trabalho, assuma o ministério'', disse Carvalho, descartando nomes de petistas para o posto. ''E, na Casa Civil, a nossa Erenice Guerra deve assumir em março, quando a ministra Dilma sai para concorrer à Presidência.''
Não há uma estratégia fechada de atuação da ministra e candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, nos primeiros dois meses do ano novo. Nas conversas reservadas com sua equipe, Lula observa apenas que ''a melhor campanha para Dilma é o governo trabalhar bem''. O presidente orientou sua equipe a redobrar a atenção para evitar que, durante o processo eleitoral, o governo seja acusado de fazer campanha para a candidata. ''Uma coisa é a Dilma ministra, que percorre o País vistoriando obras, outra é ela candidata, temos consciência disto'', disse Carvalho, segundo o qual, Lula não prevê novas medidas de impacto nas áreas social e econômica no primeiro semestre.

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