Lula prepara recomposição das bases
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sábado, 30 de outubro de 2004
Vera Rosa eLuciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Brasília - Depois da guerra, o armistício. Foi com esse recado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou ao núcleo político do governo que, terminada a eleição municipal de hoje, será necessário reconstruir pontes destruídas no relacionamento com a base aliada e retomar a chamada ''agenda positiva''. Preocupado com o peso das armas que serão usadas pelos partidos como exigências de cargos e ministérios no governo, em troca de apoio , Lula já iniciou um trabalho para apaziguar os descontentes. Por enquanto, porém, são somente afagos.
O presidente sabe que será preciso fazer gestos mais concretos, se quiser aprovar projetos, principalmente no Senado, sem depender de auxílios da oposição. Mas ainda não definiu como será o processo de ''atração política'' para engordar a base de apoio no Congresso Nacional. Uma das idéias é transformar o PTB, do deputado Roberto Jefferson (RJ), em escoadouro dos insatisfeitos.
Enquanto o PTB parece petista desde criancinha e é cotado para substituir o PL como vice na dobradinha para reeleger Lula, em 2006 , o PMDB lidera o time dos parceiros rebeldes: ameaça até romper com o governo e construir um ''projeto próprio'' para a Presidência. No Palácio do Planalto, a ameaça é vista como blefe político.
Blefe ou não, o fato é que o cenário ficará ainda mais difícil para o Planalto se a prefeita Marta Suplicy (PT) perder a eleição neste domingo para o PSDB de José Serra. Petistas e tucanos enfrentam-se no segundo turno em dez cidades, sendo quatro capitais (São Paulo, Curitiba, Vitória e Cuiabá). Mas as maiores expectativas concentram-se sobre São Paulo e Porto Alegre, capital que o PT administra há 16 anos e corre o risco de perder no duelo com o PPS, partido da base aliada que hoje vive às turras com o governo.
''Terminada a eleição, a vida continua: nem vamos alimentar disputas nem partir para o confronto estéril'', afirmou o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. ''O governo procurará aprimorar os canais de diálogo, não só com os partidos da base aliada, como com a oposição.''
Embora haja defensores da aproximação com o PSDB dentro do governo e do PT caso do ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, e do governador do Acre, Jorge Viana , na prática esta não é a visão predominante dentro do Planalto. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, é um dos que não pode nem ouvir falar nessa sugestão. Seu argumento: o PSDB tem projeto de poder e fará tudo para destruir os petistas.
''O problema dos tucanos é que eles perderam o discurso econômico e programático, tanto que não abriram o bico para fazer um balanço do governo Lula na campanha'', ataca Dirceu. ''O governo trata os divergentes como inimigos e confunde disposição para o diálogo com negociação de posições'', rebate o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos desafetos do ministro.
Na seara aliada, as queixas contra o governo vão de falta de espaço no primeiro escalão à atuação dos ministros nas eleições. ''Os ministros foram a comícios e gravaram programas de TV contra candidatos nossos. É óbvio que isso cria um clima de animosidade. Por isso, teremos de trabalhar muito para amenizar esse clima'', diz o líder do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES).


