Lula prepara pacote para gerar empregos
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segunda-feira, 19 de abril de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá fazer um pronunciamento à Nação para anunciar medidas de estímulo à geração de emprego e distribuição de renda. Uma das medidas é a alteração na Lei do Primeiro Emprego, de forma a ampliar os benefícios para as empresas. Lula quer mostrar ao País que seu governo está determinado a minimizar o problema do desemprego com alternativas, que não estariam restritas ao aumento do salário mínimo. Essa é também uma forma de responder às críticas de paralisia do governo intensificadas após o episódio envolvendo o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz.
A idéia do pronunciamento está sendo discutida pelo presidente Lula e seus principais auxiliares e poderá ser transmitido antes de 1º de maio, dia do Trabalho. Apesar da resistência da equipe econômica, Lula deve anunciar um aumento acima da inflação para o salário mínimo, hoje em R$ 240,00. Para amenizar o impacto na Previdência, a alternativa que está sendo considerada pelo Palácio é aumentar o valor do salário-família que, combinado com o mínimo, daria ao trabalhador maior poder de compra. Uma das propostas em análise é elevar o salário-família de R$ 13,48 para até R$ 30,00.
Diante dos resultados do programa de estímulo ao primeiro emprego, implantado em novembro do ano passado nas capitais, o presidente decidiu fazer ajustes, para atrair as empresas. Pela lei em vigor, o governo concede estímulo financeiro às empresas, dois meses depois da contratação de jovens de 16 a 24 anos, para o primeiro emprego. Na tentativa de reduzir os entraves e despertar interesse dos empresários, o governo quer antecipar o pagamento para facilitar o acesso ao programa.
Outra alternativa para gerar empregos é o aumento do contingente de jovens que prestam serviço militar nas Forças Armadas. Em função da escassez de recursos, houve corte de recrutas nos últimos anos. Agora, a idéia de Lula é ampliar e também iniciar um treinamento eficiente para que os jovens possam, depois, ser aproveitados nos quadros das polícias. O presidente poderá anunciar a criação de frentes de trabalho emergenciais para a recuperação de mais de 7 mil quilômetros de estradas.
Além dos estudos na área técnica do governo, o presidente Lula está buscando alternativas fora do governo. Na sexta-feira, ele terá um encontro com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, que vai sugerir, por exemplo, a contratação emergencial de trabalhadores pelo Estado, sobretudo nos grandes centros. Numa primeira fase, a CUT vai propor a contração de um milhão de pessoas este ano.
Na avaliação de auxiliares de Lula, depois de mais de dois meses da eclosão da crise Waldomiro Diniz, o governo já reúne condições de reagir. A denúncia contra o ex-assessor do Planalto afetou diretamente o desempenho do ministro José Dirceu (Casa Civil), prejudicando o funcionamento da máquina administrativa. O presidente passou a cobrar, com mais rigor desde a semana passada, competência dos ministros e resultados objetivos e concretos.


