Lula prepara 1º corte orçamentário
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domingo, 09 de fevereiro de 2003
Felipe Freire<br> Agência Folha 
Brasília - Depois de anunciar a nova meta fiscal do setor público, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara agora o seu primeiro corte orçamentário, que será divulgado hoje. A alteração será necessária para atingir a maior economia de gastos públicos da história do País, de cerca de R$ 68 bilhões ou 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país).
Pelos cálculos baseados nos dados do governo, será necessário contingenciar aproximadamente R$ 8 bilhões. Isso porque a meta de superávit anterior de 3,75% do PIB correspondia a R$ 60 bilhões de economia, contando com o PIB em R$ 1,6 trilhão, valor usado pelo Tesouro Nacional.
A equipe de Lula garante que os projetos sociais, como o programa Fome Zero, serão poupados. O dinheiro público gasto para manter a máquina do governo em funcionamento também não deverá ter fortes perdas. O ministro Guido Mantega (Planejamento) explicou que os recursos usados no dia-a-dia dos ministérios serão reduzidos, por isso, não é uma área com espaço para mudanças significativas. Sobram, portanto, os investimentos em obras e projetos dos ministérios e o orçamento das empresas estatais federais.
Durante o período de transição do governo, a equipe montada por Lula reclamou do volume de investimentos definido pela gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, a gestão Lula será obrigada a apertar ainda mais o próprio Orçamento.
O presidente havia concedido prazo para que os ministros definissem os projetos prioritários de cada área. As medidas mais importantes de cada área seriam preservadas e os cortes seriam feitos em outros projetos. O sacrifício orçamentário de cada setor será apresentado hoje aos ministros de Lula durante a segunda reunião ministerial do governo.
No sábado, Lula se reuniu com os ministros Antônio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil) e com o secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, para definir os últimos preparativos para a reunião que acontece na Granja do Torto em Brasília.
Ainda nesta semana, a equipe econômica do governo deve apresentar à missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) as mudanças feitas no orçamento e na meta de economia das contas públicas. Palocci afirmou na última sexta-feira que o percentual de 4,25% do PIB de superávit primário não precisará ser negociado com o Fundo, pois a elevação do valor é ''uma decisão do governo''.


