Foz do Iguaçu O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou ontem as iniciativas para integração da América Latina feitas por seus antecessores e pregou ''uma integração de verdade'' entre os países latino-americanos. O discurso foi realizado na estratégica tríplice fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina, durante um evento na Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu.
O discurso brindou o primeiro ato do novo presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, em território brasileiro. O presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, acompanhou a cerimônia na usina. Lula e Gutièrrez participaram da posse de Frutos anteontem em Assunção.
Eles acompanharam a descida do estator da 19 turbina da hidrelétrica, que até 2004 terá 20 turbinas. A peça gigante é a parte estática de um gerador. Depois, Lula destacou a importância da binacional para o desenvolvimento dos dois países, porém reservou maior parte do discurso à conjuntura latino-americana e não abordou temas da política nacional, como as reformas.
Lula afirmou que a relação entre os países da região precisa ser ''verdadeira'' e não um discurso de campanha. ''Em pouco tempo, poderemos contribuir para integração da América do Sul mais que muita gente que passou muitos anos no governo do Paraguai, do Equador e do Brasil'', disse numa clara referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Diante de ministros de Estado, deputados e prefeitos da região, sugeriu a Nicanor que o próximo encontro na fronteira deva ser para a inauguração da segunda ponte entre o Brasil e o Paraguai, que desafogaria o tráfego na Ponte da Amizade. Indiretamente, ele classificou a futura obra como uma infra-estrutura necessária para integrar os dois países.
Entretanto, ele não citou detalhes sobre a proposta, sob análise em Brasília e Assunção há anos. Anteriormente, o presidente do Paraguai havia criticado a integração mercadológica e propôs uma integração política, tecnológica, social, repudiou a posição dos países desenvolvidos em tratar as nações subdesenvolvidas como ''mercados a serem explorados''.
Lula e Nicanor também assinaram convênio para concessão de 300 bolsas escolas para crianças paraguaias e 300 para brasileiras. Os dois governos oficializaram, ainda, projeto para aumento na produção de peixes no reservatório da usina.

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