Lula pode se reeleger, mas PT não será o mesmo
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quinta-feira, 18 de agosto de 2005
Renato Martins<br>Agência Estado 
São Paulo - A edição da revista britânica 'The Economist' que começou a circular ontem, diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá se recuperar da crise política que paralisou seu governo nos últimos três meses, mas o Partido dos Trabalhadores ''nunca mais será o mesmo''. Segundo a revista, a eleição para a nova direção do PT, em setembro, ''deverá ver o partido voltar-se mais para a esquerda, ou dividir-se, ou ambos''.
A 'Economist' observa que ''como Tony Blair no Reino Unido, e ao contrário dos esquerdistas latino-americanos tradicionais, o governo de Lula fez da estabilidade econômica o fundamento de sua busca por justiça social'' e destaca o papel do grupo liderado por José Dirceu na transformação do PT ''de uma mistura de ativistas católicos, intelectuais de esquerda e líderes sindicais em um partido de massas com 840 mil militantes''.
Segundo a revista, o escândalo ''provocou uma luta entre três campos pela alma do partido: a esquerda quer fazê-lo voltar à sua ideologia, estrutura e ética anteriores; o grupo do sr. Dirceu está lutando para manter o controle. O novo presidente do partido, Tarso Genro, está no meio. O sr. Genro é o candidato do 'campo majoritário', mas tem criticado a política econômica do governo.
Os esforços do sr. Genro para punir os líderes manchados do partido têm sido bloqueados pelo sr. Dirceu'', diz a 'Economist', prevendo que candidatos de vários grupos de esquerda vão desafiar Tarso Genro na convenção de setembro. ''Eles querem o fim das alianças com partidos de centro-direita no Congresso e o afastamento de Antonio Palocci, o ortodoxo ministro da Fazenda, duas coisas que Lula não pode se dar ao luxo de conceder''.
A reportagem afirma que o grupo de esquerda ''PT Livre'' poderá deixar o partido e que ''em teoria, a maioria que permanecer poderá formar um grupo mais coeso, que daria mais apoio à política econômica moderada do sr. Palocci''. A 'Economist' prevê ainda que o PT ''terá dificuldade de encontrar aliados e de levantar dinheiro para as eleições do próximo ano. Mesmo que Lula vença, a maioria dos analistas prevê que o PT perca até 40 de seus 90 deputados, (...) o que roubaria do partido a confiança para promover reformas impopulares''.
E conclui que a nova equipe de dirigentes ''terá que se preocupar mais em defender a base eleitoral do PT, que é urbana, sindicalizada e resistente a reformas. O Brasil terá que esperar por um Partido dos Trabalhadores que seja ao mesmo tempo pragmático e limpo''.


