Agência Estado
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Unidos, enfim?Paes de Andrade e Lula, após o encontro: ‘‘Fato novo que muda a história da eleição de 98’’ O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, admite abrir mão de sua candidatura em favor de uma aliança eleitoral com o PMDB. ‘‘Uma candidatura própria do PMDB é o fato novo que muda a história da eleição de 1998’’, disse Lula à saída do almoço com o presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE). ‘‘Me contentarei em ser cabo eleitoral num projeto para derrubar o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso’’, completou. Lula insistiu que seu nome não será empecilho para a união das esquerdas na eleição presidencial.
A declaração de Lula deixou eufórico o anfitrião Paes de Andrade. ‘‘O entendimento avançou muito e nosso grupo saiu fortalecido’’, avaliou Paes, ao relatar a conversa com os petistas a um grupo de rebeldes do PMDB, que insiste na candidatura própria do partido ao Palácio do Planalto. ‘‘Vamos vencer a guerra interna’’, disse o presidente do PMDB, referindo-se à disputa com a ala governista que defende o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique.
Na conversa com os petistas, Paes também assegurou vitória de seu grupo na convenção nacional que decidirá sobre a candidatura própria. A data da convenção seria discutida em jantar com os presidenciáveis do partido, senadores José Sarney (AP) e Roberto Requião (PR). Encontro dispensável, na avaliação da ala aliada ao Planalto, que se reuniu para um café da manhã na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
‘‘Eu não levo nada disso a sério’’, desdenhou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘O que essa gente quer? Apoiar o Lula?’ Certos de que são maioria no partido, os governistas decidiram antecipar a convenção de 15 para 8 de fevereiro. Tudo para aproveitar o quórum da convocação extraordinária do Congresso, que deverá encerrar os trabalhos no dia 13 de fevereiro.
José Dirceu reafirmou que hoje Lula é o candidato do PT, com o apoio do PC do B, mas concordou que uma posição ‘‘independente’’ do PMDB cria um novo quadro político a ser avaliado pelas esquerdas. ‘‘Já falamos que, se Requião for lançado, estamos dispostos a analisar’’, resumiu o presidente do PT.
Diferente de José Dirceu, que restringe a parceria com o PMDB à candidatura do senador Roberto Requião (PMDB-PR), Lula disse que seria ‘‘até antiético dar palpites na escolha do PMDB’’. Lembrou que já esteve com o embaixador Itamar Franco, para derrubar o governo de Fernando Collor, e disse que aceitaria dividir o palanque com o senador José Sarney (AP), o terceiro presidenciável do PMDB.
‘‘Em política se conversa em torno de programas, e não de coisas pessoais’’, justificou Lula: ‘‘Tudo depende das circunstâncias políticas.’ O candidato lembrou que, há cinco anos, não se imaginava o atual presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), apoiando Fernando Henrique. ‘‘O que nós queremos é dar ao Brasil a oportunidade de escolher outro projeto, que possa atender a mais da metade da população hoje marginalizada’’, insistiu Lula.
Lula começa a viajar em campanha na próxima semana, depois de oficializar uma chapa com o PDT de Leonel Brizola para vice-presidente, e de conversar com o PSB do governador pernambucano Miguel Arraes, na sexta-feira.

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