Lula pensa em criar novo ministério
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domingo, 11 de janeiro de 2004
Vera RosaAgência Estado 
Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá criar um novo ministério na reforma do primeiro escalão, prevista para ocorrer até o dia 20. Um importante interlocutor de Lula disse que ele já está escolhendo entre dois nomes: Ministério do Desenvolvimento Social ou das Políticas Sociais. Preocupado com os resultados aquém das expectativas, o presidente quer marcar seu segundo ano de governo com uma agenda de crescimento. Pelo organograma desenhado no Palácio do Planalto, dois ministérios serão extintos para dar lugar à nova pasta: o da Segurança Alimentar e Combate à Fome e o da Assistência e Promoção Social.
O superministério foi planejado como resultado da fusão dessas duas pastas. Para comandá-lo, o preferido de Lula é o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS). A escolha mataria dois coelhos com uma só cajadada: Ciro é visto pelo presidente como um bom administrador, que pode dar eficiência à área social. Além disso, o já impaciente PMDB também reivindica o Ministério da Integração, atualmente ocupado por Ciro.
O problema é que o PT resiste em entregar o filão social para o PPS de Ciro. Mais: em conversas reservadas, petistas ciumentos dizem que ele pode pôr as manguinhas de fora se tiver mais poder. Caso a opção Ciro tenha de ser abortada, o segundo nome cogitado é o do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini (PT). Há, no entanto, um forte obstáculo: a imagem de Berzoini está abalada desde o malfadado episódio do recadastramento dos idosos, no ano passado. Sem contar que Lula tem outros planos para Berzoini.
União No Planalto, há simpatia pela idéia da união do Ministério da Previdência com o do Trabalho, como era no passado. O presidente, porém, ainda não bateu o martelo sobre esse assunto. Tudo ficará mais fácil se o ministro do Trabalho, Jacques Wagner, anunciar que será candidato do PT à prefeitura de Camaçari, na Bahia.
Lula quer um nome forte para comandar a estrutura social, que desandou em 2003, num único ministério. Ele está convencido de que se trata da fórmula ideal para enfrentar os percalços encontrados até hoje. Ficou satisfeito, por exemplo, com a unificação dos programas de transferência de renda no Bolsa-Família, guarda-chuva que abriga o Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio-Gás. Agora, quer ir além.
Mas ainda sofre por causa dos amigos. Está certo que o petista José Graziano da Silva, titular da Segurança Alimentar e Combate à Fome, ficará no governo de qualquer maneira, provavelmente numa secretaria ligada ao novo ministério. Idealizador do programa Fome Zero, Graziano acompanha Lula há 23 anos. Não é só: antes dele, o velho Graziano, pai do ministro, acreditou no sindicalista Lula num momento em que poucos confiavam nele.


