Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu anteontem à noite com a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, no Palácio da Alvorada, para recomendar rapidez na apresentação de respostas às denúncias de envolvimento em esquema de lobby para beneficiar seu filho, Israel Guerra. Segundo um assessor próximo ao presidente, Lula está tranquilo e espera os desdobramentos do caso. Segundo esse assessor, o que existe no momento é o desmentido do principal acusador do esquema, denunciado pela revista Veja, o empresário Fábio Baracat. A revista, porém, alega que tem a entrevista gravada do empresário.
  A reportagem da ‘‘Veja’’ traz a denúncia de que Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, fez lobby para empresas aéreas com interesses na obtenção de contratos com os Correios. Segundo a revista, o lobby teria rendido ao filho de Erenice uma comissão de cerca de R$ 5 milhões. Na ocasião, a Casa Civil era chefiada por Dilma Rousseff e Erenice ocupava o posto de secretária executiva, atuando como principal auxiliar da hoje candidata do PT ao Planalto.
  A Comissão de Ética Pública, ligada à Presidência da República, abriu procedimento preliminar para investigar a ministra da Casa Civil. O advogado Fabio Coutinho, integrante da comissão, foi designado relator do caso, e terá 10 dias para apresentar o resultado da análise. O prazo poderá ser prorrogado.
  Ontem, Erenice se reuniu com advogados para agilizar a quebra dos seus sigilos e do filho, Israel Guerra. A assessoria da ministra informou que Erenice fez o pedido por meio de ofício encaminhado ao presidente da Comissão, José Paulo Sepúlveda Pertence. No documento, ela diz que, se necessário, abre mão dos seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, e também de seu filho Israel Guerra.
  O vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que iria protocolar ainda ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, requerimento de convocação de Erenice Guerra. Ele também avisou que hoje o PSDB ingressa com pedido de investigação na Procuradoria Geral da República. (Colaborou Ana Paula Scinocca)

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