Brasília - Na véspera da instalação da CPI da Petrobras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos ministros que engrossem o coro de apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para jogar água na fervura da crise política, garantir a governabilidade e evitar que ela contamine a eleição de 2010. Em reunião ministerial realizada ontem, na Granja do Torto, Lula disse que a oposição está sem discurso e quer espicaçar o Planalto com a CPI - que será instalada hoje -, mas insistiu na necessidade de união da base aliada para superar a crise nesse ano pré-eleitoral.
''É importante ser leal a Sarney porque há uma campanha pesada contra ele e não se pode individualizar as acusações'', afirmou Lula, ao lembrar que os ministros indicados por partidos ''têm de estar alinhados com suas bancadas'' na defesa de Sarney.
A avaliação do governo é de que Sarney agiu bem ao anunciar a anulação de 663 atos secretos do Senado, que continham a nomeação de parentes e aliados do senador.
Eleições
Coube a Lula entrar no assunto e desestimular a saída dos ministros-candidatos antes de 3 de abril, prazo estabelecido pela Lei Eleitoral para a desincompatibilização daqueles que vão disputar eleições deixem o governo. Levantamento indica que 17 dos 35 ministros pretendem concorrer ao governo, ao Senado e à Câmara dos Deputados em 2010.
''Daqui a pouco muitos de vocês vão vir falar comigo, dizer que o partido precisa de vocês, que o povo quer, que o projeto do partido exige. Ninguém vai falar a verdade e dizer: presidente, eu sou candidato'', ironizou Lula.

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