Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicitou ontem, pela primeira vez nos últimos dias, sua preocupação com as cobranças e atitudes de parlamentares das alas mais radicais do PT. Ele está preocupado especialmente com os estragos que as declarações dos rebeldes podem provocar no governo. Lula quer que haja um diálogo mais intenso no partido e está pedindo ''paciência'' aos seus companheiros.
''É preciso muito diálogo entre nossos companheiros porque só estamos há 30 dias no governo e é preciso entender que as mudanças ocorrerão, mas de forma progressiva, mas tranquila, e não virão do dia para a noite'', disse o presidente, conforme relato do senador Paulo Paim (PT-RS), que esteve em audiência com o presidente no Palácio do Planalto.
Apesar de manifestar preocupação com as divergências no PT, o presidente Lula deixou claro que não levará esta disputa para o Palácio do Planalto. Pelo menos de público, o ministro mais político da equipe de Lula, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, também não fala sobre a briga no PT. Ontem, novamente questionado sobre o assunto, ele fez apenas um gesto de que está com a boca lacrada.
Na conversa com o senador Paulo Paim, ainda segundo seu relato, o presidente fez o seguinte comentário: ''Fomos oposição durante um longo período, mas agora somos governo e temos só 30 dias de governo. Por isso, é preciso ter paciência porque temos de colocar a casa em dia''.
Ele disse que o diálogo no partido tem que ser intenso com toda a bancada, tanto na Câmara, quanto no Senado, não de forma individual. ''O que percebi é que o presidente deu o caso por encerrado (o da Heloísa Helena) e se tiver alguma outra repercussão ainda sobre o caso, ela deve ser resolvida internamente, no partido'', disse Paim, que preferiu não dizer que as declarações de Lula em relação aos radicais era um recado.
''Ele quer o diálogo e destacou isso várias vezes. Disse também que está muito otimista e que eu ficasse tranquilo porque esse País tem tudo para dar certo, que nós vamos avançar.'' De acordo com o senador, o presidente ainda insistiu: ''Os companheiros têm de entender que estamos chegando no governo e que temos tudo para fazer um grande um governo''.
No conjunto de esforços para pôr panos quentes na crise, a participação do líder do governo no Congresso, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), para dar ''prazos mais longos às questões mais polêmicas'' foi considerado pela senadora Heloísa Helena (PT-AL), da ala radical do partido, como um gesto importante para a pacificação do PT. Significa, também, que a prenunciada punição à senadora pode ficar no desvio.
A senadora referia-se ao projeto de lei complementar a ser enviado pelo governo para estabelecer a autonomia do Banco Central e à reforma constitucional da Previdência. Ela não disse se foi acertado algum prazo para essa votação no encontro de anteontem com Mercadante e o líder da bancada do PT no Senado, Tião Viana (AC). ''Fizemos o apelo para adiar as decisões governamentais que provocam polêmica interna'', disse.

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