Lula pede o fim de armas nucleares
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Folhapress 
São Paulo- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou ontem no Knesset, o Parlamento de Israel, e pediu um Oriente Médio livre de armas nucleares, a exemplo da América Latina. ''Brasil é orgulhoso por não haver armas nucleares na América Latina e nós queremos que isto seja um exemplo para outras partes do mundo'', disse Lula. Israel, apesar de ser membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), nunca assinou o tratado de não proliferação nuclear e, suspeita-se, teria um arsenal não declarado de armas nucleares.
O Ocidente acusa ainda o Irã de desenvolver um programa militar de armas nucleares, mas Teerã nega e diz ter apenas fins civis. Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, recebeu Lula no Knesset e apelou para que o Brasil ''se some à coalizão internacional que se forma contra o Irã''.
''Esta coalizão reúne numerosos países que querem impedir o Irã de se dotar de arma nuclear'', disse o premiê israelense.
Conforme Irã avança em seu programa nuclear e rejeita os esforços de negociação com as potências, aumentam os rumores de que Israel prepara um ataque às instalações nucleares iranianas -aos moldes do que fez com a Síria em 2007, apesar de a Síria negar que o alvo atingido fosse um reator nuclear secreto.
''Eu acredito que as autoridades iranianas representam valores completamente diferentes dos seus'', continuou Netanyahu, em um recado à aproximação e à defesa brasileira do programa nuclear iraniano. ''Eles representam tirania e crueldade, vocês representam abertura e tolerância. Eles honram a morte e vocês celebram a vida. Irã nega o Holocausto, pede a destruição de Israel, está desenvolvendo armas nucleares e apoia organizações terroristas'', disse Netanyahu, citado pelo jornal ''Haaretz''.
Lula passou o dia em eventos com autoridades de Israel e pediu reiteradamente maiores esforços de Tel Aviv pela negociação de paz com os palestinos.
O presidente citou o Brasil como um exemplo de convivência pacífica. ''No Brasil, 10 milhões de árabes vivem em harmonia com milhares de judeus'', disse. ''Nós esperamos que isto seja usado como uma metáfora para buscar maior entendimento no Oriente Médio''.


