Lula pede intervenção de Mantega na Receita
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sábado, 29 de agosto de 2009
Vera Rosa<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não quer ver a Receita Federal ''refém'' de uma guerra entre grupos. Furioso com o tiroteio na direção da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula cobrou de Mantega providências para pôr fim à batalha interna desencadeada após a demissão da ex-secretária da Receita Lina Vieira.
''Lina provou que não estava à altura do cargo'', esbravejou o presidente em conversa mantida com Mantega, na semana passada. Demitida em julho, a ex-mulher forte da Receita afirmou que Dilma pediu a ela, em dezembro, que agilizasse as investigações do Fisco sobre as empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A chefe da Casa Civil, pré-candidata do PT à sucessão de Lula, em 2010, não só nega o pedido como o encontro.
Na avaliação de Lula, Mantega errou ao demitir Lina antes de encontrar um substituto para o cargo e, com essa atitude, acabou provocando uma crise sem precedentes. Sob a alegação de que a Receita não é mais imune às ''ingerências e pressões de ordem política ou econômica'', 12 superintendentes e coordenadores da instituição entregaram os cargos na última segunda-feira.
A rebelião se agravou ao longo da semana com outra leva de dispensas. Os demissionários fizeram questão de dar tom político à saída: solidarizaram-se à Lina e bateram na tecla de que a Receita abandonou a fiscalização sobre os grandes contribuintes.
Em conversas reservadas, Lula tem dito que a disputa de poder na Receita parece o confronto entre facções da Polícia Federal. Nos bastidores do governo, a PF é chamada de ''ninho de cobra''. Para o presidente, o problema começou lá atrás, em agosto de 2008, quando Mantega resolveu trocar Jorge Rachid - ligado ao ex-secretário da Receita Everardo Maciel - por Lina Vieira. Ela trabalhou com o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) quando ele foi governador do Rio Grande do Norte (1995-2002) e assumiu o comando da Receita com o apoio de um grupo de oposição à atual diretoria da Unafisco, o sindicato nacional dos auditores fiscais.
Lina caiu em desgraça depois de entrar em rota de colisão com a Petrobras: denunciou a manobra contábil pela qual a estatal deixou de pagar R$ 1,18 bilhão em impostos. A notícia municiou a oposição, que conseguiu aprovar a CPI da Petrobras no Congresso.
Ao deixar a Receita, a ex-secretária confidenciou a amigos que não aceitaria a pecha de incompetente. Auxiliares de Lula asseguram que ela sempre atribuiu a demissão a Dilma, embora a palavra final tenha sido de Mantega.
Ex-braço direito de Lina, o atual secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, só ganhou o cargo após ter defendido o artifício usado pela Petrobras, contrariando publicamente a posição de sua antecessora. Otacílio é considerado ''independente'' dentro da instituição.


