Lula pede fim das dissidências no PT
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Brasília Depois de quase uma semana fora do País, o presidente Lula retornou ontem ao Palácio do Planalto disposto a enfrentar as dissidências em seu partido, cobrando unidade nos discursos, como forma de garantir a sustentabilidade do governo no Congresso. Ontem, ele almoçou com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e depois convocou o presidente do PT, José Genoino, para a uma reunião. Genoino deixou o Planalto anunciando que vai se reunir com os dissidentes. A ordem é enquadrá-los para evitar um racha.
As declarações dos senadores Heloísa Helena (AL) e Eduardo Suplicy (SP), que criticaram ações do governo e do partido, foram a gota d'água para provocar uma reação de Lula. ''A unidade do PT é fundamental para a sustentação do governo'', disse Genoino após encontro com Lula. Ele próprio disse que deixava o Planalto com a incumbência de conversar com Heloísa e os demais dissidentes.
Genoino prefere não usar a expressão ''enquadramento'' de rebeldes. Quer persuadi-los e mostrar que todos são parceiros desse projeto. ''Ninguém pode ser dono da história do partido e vamos dizer isso para a Heloísa Helena'', disse Genoino acrescentando que ''se alguém pode se achar dono é o presidente da República''. Para ele, as críticas da senadora foram ''injustas, descabidas e precipitadas''.
O presidente do PT assumiu o discurso de Lula: ''Temos um projeto que é fundamental dar certo porque somos todos parceiros e ninguém do PT está fora de assumir as suas responsabilidades.'' Ele disse que respeita a opinião dos dissidentes, mas não é obrigado a concordar essas idéias.
Além de Genoino, ministros vão participar da ação de costura interna e ajustamento do discurso do PT. Amanhã, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, reúne-se com a nova bancada do partido.
Genoino insiste em que ''não há divergência ou crise'' no partido. ''Há uma vontade muito grande de acertar. O PT é um partido plural. Vamos respeitar a opinião de todos, seja a do mais antigo, ao mais novo integrante. Mas não abrimos mão da nossa unidade'', disse.


