Lula pede empenho para novas alianças e defende 2º turno
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quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Tânia Monteiro e Leonencio Nossa<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou ontem que as alianças partidárias e a realização de um segundo turno das eleições são importantes para garantir a governabilidade nos próximos quatro anos. Ao anunciar oficialmente, no Palácio da Alvorada, a parceria com o candidato a governador do Rio pelo PMDB, Sérgio Cabral, Lula defendeu a necessidade de segundo turno e a ampliação de alianças, relembrando que o ex-presidente chileno Salvador Allende (1908-1973) foi eleito com apenas cerca de um terço dos votos, não conseguiu ampliar a frente de apoio para governar o Chile e acabou deposto por um golpe militar, comandado pelo general Augusto Pinochet, em 1973.
''Todo mundo sabe que eu fui um dos batalhadores para que a gente tivesse dois turnos no Brasil'', afirmou o presidente, explicando que defendeu esta tese na Constituinte, em 1988, e que usava como base a experiência chilena. ''Eu achava e me espelhava muito no que ac onteceu no Chile com Allende'', disse ele, justificando que ''achava que alguém ser eleito presidente da República com 33% dos votos teria muito mais dificuldade de construir uma hegemonia para governar do que se fosse eleito num segundo teste em que a população pudesse, por sua maioria, se manifestar''.
Surpreendido pela necessidade de enfrentar o segundo turno, quando acreditava que ganharia as eleições no dia primeiro de outubro, o presidente Lula acabou tendo de sair em busca de novas alianças para tentar garantir a reeleição. Ontem, justificou o apoio recebido de Sérgio Cabral. ''Quando aceitamos a regra de fazer política, nós não temos de ficar achando que só a nossa política é que vale.''
''Temos de entender que como democratas que somos, às vezes, o nosso projeto não vence e quando ele não vence, nós temos de nos aliar com outros projetos que estejam mais próximos de nós, com pessoas que nós confiamos mais, e pessoas que nós acreditamos que vão fazer pelo estado que fariam se tivesse ganho'', comentou Lula. No primeiro turno ele apoiou o senador Marcelo Crivella (PRB) para o governo do Rio de Janeiro.
Questionado se a eleição estava fácil de ser ganha no Estado, no segundo turno, com a ampliação da aliança, Lula não quis cantar vitória. ''Não existe eleição fácil. Toda eleição tem as suas complicações. O que acontece é que no Rio de Janeiro ela será mais tranquila porque nós temos o melhor candidato, temos a melhor aliança política e temos a maioria do povo do Rio querendo o melhor para o Rio e indubitavelmente o melhor para o Rio é a eleição do governador Sérgio Cabral'', observou.
Ele aproveitou para informar que R$ 385 milhões serão investidos em segurança no Rio, por causa dos Jogos Pan-Americanos. Sobre a possibilidade de o apoio do casal Garotinho atrapalhar o seu adversário político Geraldo Alckmin, Lula afirmou que ''não julga'' os acordos dos outros partidos políticos. ''Já tenho a dificuldade de fazer os meus acordos. Eu não posso ficar dando palpite nos acordos dos outros'', comentou.


