Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem empenho ''máximo'' aos partidos aliados para a aprovação, ainda este ano, das reformas da Previdência, tributária e política. A solicitação foi feita aos líderes das legendas durante almoço na Granja do Torto.
O argumento colocado por Lula foi o de que é preciso aproveitar o ''clima favorável'' no Congresso. O presidente espera contar até com o apoio dos partidos de oposição.
Aos líderes, Lula lembrou que, no próximo ano, haverá eleições municipais e que, por isso, será difícil votar matérias importantes e polêmicas como as reformas.
O relato da reunião foi feito pelos congressistas que estiveram na granja. O senador Mozarildo Cavalcanti (RR), líder do PPS, disse que o presidente está preparando as reformas ''sem precipitação'' e realizando um amplo debate.
Segundo Cavalcanti, o presidente disse que tentará sensibilizar os governadores sobre a importância da reforma tributária. Lula se reunirá com os governadores no próximo final de semana. Ele também pedirá a eles compreensão na discussão da guerra fiscal.
Já de acordo com o líder do PT no Senado, Tião Viana (AC), Lula defendeu ainda uma revisão no papel das agências reguladoras e na relação delas com os ministérios.
O presidente afirmou que o Congresso precisa ''refletir'' sobre isso, uma vez que o governo não pode ser o último a saber dos aumentos de derivados de petróleo e das tarifas telefônicas, decididos no âmbito das agências reguladoras.
O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que também participou da reunião, contou que Lula comentou o discurso do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), feito ontem no plenário do Senado, no qual criticou duramente o governo.
''O Bornhausen ainda não pegou a embocadura, mas vai treinar e será um bom oposicionista'', teria declarado o presidente. Jefferson relatou ainda que Lula teria dito que ''é bom ter oposição, porque ela alerta o governo para possíveis erros''.
Além dos líderes da base aliada, também participaram do almoço com o presidente os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, do Planejamento, Guido Mantega, e da Casa Civil, José Dirceu. Também esteve presente o secretário de Comunicação, Luiz Gushiken. Estavam representados no encontro PT, PPS, PDT, PTB, PL, PC do B, PSB, PV e PMN.

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