Lula pede desculpas e diz que se sente traído
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sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Ana Flor e Eduardo Scolese<br> Folhapress 
Brasília - Dizendo-se ''traído'' e ''indignado'' diante das denúncias de corrupção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem desculpas, em nome do governo e do PT, pelo que chamou de ''práticas inaceitáveis'' num pronunciamento comedido e sem ataques às elites e à oposição. Lula disse que ''não tinha vergonha'' em dizer que ''nós temos de pedir desculpas'' durante a abertura da 11 reunião ministerial de seu governo, a terceira deste ano. Sua fala ocorreu na primeira etapa da reunião, aberta à imprensa e transmitida pelas televisões e rádios.
O presidente disse estar ''consciente da gravidade da crise política'', mas declarou que, desde a fundação do PT, em 1980, sempre se manteve ''fiel aos ideais'' de moralização das práticas políticas. ''Eu não mudei'', afirmou.
A maior parte dos 12 minutos do discurso foi lida por um presidente que olhava para o alto e para os lados, sem a veemência de suas últimas falas em que procurou se defender dos ataques desferidos pela oposição. Lula, procurando se defender das críticas de que poderia saber do esquema do mensalão, afirmou que se sentia ''traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento''.
O único trecho de improviso, comum em seus discursos, durou somente um minuto. Foi quando afirmou que seu governo e o PT têm de pedir desculpas pelos ''erros'' cometidos. ''Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas'', disse para depois fazer um apelo à população: ''Não percam a esperança''.
Ao contrário de discursos recentes, Lula evitou ataques ao governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e críticas à imprensa. A necessidade da manifestação pública do presidente foi definida ontem, depois que Lula e seus auxiliares mais próximos avaliaram o impacto negativo para o governo do depoimento do publicitário Duda Mendonça. À CPI dos Correios, o marqueteiro relatou que campanhas eleitorais petistas de 2002 foram pagas com caixa dois, inclusive com depósitos em um paraíso fiscal.
Antes de seu discurso, na Granja do Torto, Lula se reuniu por cerca de três horas com ministros que formam a chamada coordenação de governo para definir os últimos detalhes do texto e o tom do pronunciamento. No início do discurso, com olhar disperso e num tom de voz ameno, Lula falou do crescimento da economia, da geração de empregos e dos programas sociais prioritários. Ao citar as ações, afirmou que, mesmo diante da crise, ''o país não pode parar''.


