Evian - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso feito ontem na reunião dos chefes de Estado do G-8, disse que o Brasil e muitos países em desenvolvimento fizeram ao longo da última década o esforço exigido ''pelas estratégias econômicas predominantes''. O presidente ressaltou que, apesar disto, não houve avanços importantes ao combate a exclusão social. ''Ao contrário, onde o fundamentalismo imperou, não se alcançou a prometida estabilidade econômica'', disse Lula.
''Aumentaram o desemprego, a fome e a miséria'', acrescentou. Disse que ''os sistemas produtivos dos países em desenvolvimento ''não conquistaram espaço no comércio mundial correspondentes aos sacrifícios feitos por estas nações''. Segundo ele, a falta de democracia econômica e social ameaçou a democracia como um todo.
''Não queremos o olhar piedoso dos países ricos. Necessitamos de soluções estruturais que devem fazer parte de um conjunto de mudanças na economia mundial'', disse o presidente. ''Esperamos coerência de nossos parceiros mais ricos'', afirmou. Ele disse que ''vê com preocupação as resistências na OMC (Organização Mundial do Comércio) para remover subsídios milionários, principalmente à agricultura.''
Segundo ele, questões prioritárias como a do acesso ao medicamento são proteladas. ''Essas atitudes não são construtivas e só aumentam o ceticismo em relação as boas intenções e à sabedoria dos mais prósperos'', salientou. O presidente disse que é preciso definir responsabilidades, o que implica em novas tarefas para os países em desenvolvimento. ''Os que dispõe de maior capacidade podem e devem executar políticas mais solidárias e generosas em favor das nações mais necessitadas'', disse o presidente.
Lula propôs aos chefes do Estado do G-8, que seja criado um imposto sobre o comércio internacional de armas para ajudar a financiar o fundo mundial contra a fome. O presidente disse também que outra possibilidade é criar mecanismos para estimular que países ricos invistam neste fundo contra a fome, uma porcentagem dos juros pagos pelos países devedores. ''A pobreza e a miséria que atingem milhares de homens e mulheres no Brasil, na América Latina, na Ásia , nos obrigam a construir uma nova aliança contra a exclusão social'', disse Lula.
Segundo o presidente brasileiro, ''é neste espaço de desagregação social que prosperam os ressentimentos, a criminalidade e , em especial, o narcotráfico e o terrorismo''. Lula propôs aos chefes de Estado, ''ações coletivas, responsáveis, solidárias, em favor da superação das condições desumanas'' enfrentadas por boa parte da população mundial.
Lula também observou que não veio para a reunião do G-8 ''para se lamentar, e nem simplesmente para engrossar o coro das recriminações'''. O presidente disse que o governo brasileiro está fazendo sua parte, ''executando políticas econômicas equilibradas, combatendo o desperdício a corrupção, aprimorando as instituições para o bom funcionamento da economia''.

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