Brasília - Na primeira reunião com o primeiro escalão do governo depois que dez ministros deixaram o Executivo para disputar as eleições de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem que nenhum dos novos integrantes do governo crie programas ou faça ''invenções'' em ano eleitoral.
Lula deu o recado de que deseja ver a conclusão das políticas elaboradas pelos antigos titulares das pastas, assim como o cumprimento de metas estabelecidas pelo governo federal.
O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse que o presidente não quer descontinuidade das políticas em curso, mas deseja o aumento no ritmo de trabalhos dos ministros.
''Os ministros vão trabalhar o dobro que os anteriores. O presidente deu um recado para os ministros que cada um deles tem nove meses de gestão, o tempo de gestação, o tempo dos ministros aproveitarem essa oportunidade de dar continuidade às políticas de governo'', afirmou.
Ao fazer um relato da reunião ministerial, Padilha disse que o presidente foi claro ao afirmar que não deseja ''invenções'' dos novos integrantes do governo. ''Não é para ninguém inventar nada este ano. Vários ministros eram secretários-executivos, todos conhecem a prioridade dos seus ministérios. O presidente quer que não haja descontinuidade das suas políticas.''
Lula começou a reunião pedindo que cada um dos novos ministros se apresentasse, já que muitos dos antigos titulares das pastas ainda não conhecem os novos integrantes do primeiro escalão do governo. À vontade, vestido com camiseta vermelha, o presidente encerrou a reunião com o recado de que deseja que todos trabalhem ao máximo para o cumprimento das metas de cada pasta.
A substituta da ex-ministra Dilma Rousseff na Casa Civil, Erenice Guerra, reiterou o pedido de Lula para que todos os ministros sigam as recomendações da Advocacia Geral da União (AGU) no que diz respeito ao cumprimento da legislação eleitoral.
PAC
Na reunião de ontem, Lula pediu para que os ministros acelerem investimentos na reta final do governo, a exemplo do que tem acontecido com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo relatou o ministro Padilha, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou durante a reunião que, nos dois primeiros meses do ano, o índice de execução do PAC foi 136% maior do que o verificado no mesmo período de 2009.
O presidente Lula determinou que as obras do PAC sejam priorizadas por todos os ministérios, no intuito de acelerar a economia, estimular emprego e renda neste ano. Segundo o último balanço do governo, foi concluído pouco mais de 40% do programa, que termina neste ano.
Os ministros ouviram também recomendação do presidente de manter as equipes da primeira fase do PAC e do PAC 2, lançado na semana passada, separadas.
Preocupação
O presidente aconselhou sua equipe econômica a acompanhar com bastante atenção o fluxo das contas correntes. Mas sem grande alarde, já que o Brasil conta com reservas internacionais na ordem de US$ 240 bilhões, afirmou.
De acordo com última estimativa divulgada pelo Banco Central, o governo espera para 2010 deficit em suas contas externas de US$ 49 bilhões. Lula afirmou que espera manter o ritmo de crescimento acelerado, a níveis superiores do que o registrado em 2009.
Segundo Padilha, a equipe econômica do governo está confiante de que conseguirá cumprir a meta de inflação do ano, de 4,5%. O otimismo dos ministros vai de encontro à pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central, que mostrou a décima primeira alta consecutiva da estimativa do mercado financeiro em relação à inflação oficial do país.
Ministros
Na semana passada, dez ministros deixaram o primeiro escalão para disputar as eleições de outubro.

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