Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom do seu discurso ao falar ontem sobre o escândalo do dossiê contra políticos tucanos, que já derrubou oito pessoas no PT e no governo, inclusive o coordenador de sua campanha, sugerindo que a atuação da oposição ao seu governo teria conotações golpistas. ''É preciso ficar de olho, porque tem gente neste país que ainda não aprendeu a viver na democracia. Tem gente neste país que falou vamos deixar o operário entrar, ele não vai dar certo e depois a gente volta com toda a força. Só que os números mostram que nós demos mais certo do que eles, e eles agora estão ansiosos para ver se existem outros meios, que não é da relação democrática da eleição, para evitar que as pessoas dirijam este país'', declarou, após agradecer as notas distribuídas pelos movimentos sindicais que advertem para o que chamam de tentativa de melarem o processo eleitoral e convocam a militância para ir às ruas defender sua eleição.
O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e o vice-presidente José Alencar também fizeram coro a Lula citando em suas falas supostas tentativas de golpismos das elites contra o presidente.
Lula começou sua fala de improviso, para cerca de 500 prefeitos, que assinaram manifesto de apóio à sua reeleição, avisando que ia ficar muito mais tranquilo porque sua mulher lhe telefonou pela manhã e lhe pediu que não ficasse nervoso ou ofendesse alguém. Mas, logo depois, com voz exaltada, ao citar o dossiê contra os tucanos, afirmou que ''é o maior interessado em apurar esse negócio do dossiê'' e chamou de ''bandidos'' os que foram em busca dos documentos.
''Eu quero saber de onde veio o dinheiro sim, eu quero saber toda a tramóia que houve, mas sobretudo eu quero saber que diabo de conteúdo que há nesse dossiê que pessoas cometeram a enroscada que cometeram. Que arapuca que é essa, que as pessoas se meteram, se entrelaçaram por causa de um dossiê'', desabafou, falando até da sua preocupação com a origem do R$ 1,7 milhão que seriam destinados à compra do dossiê contra os tucanos. ''Eu preciso que a sociedade saiba de onde veio o dinheiro, quem deu o dinheiro, de onde veio, mas saiba o conteúdo do dossiê. Porque senão, se não tiver o conteúdo do dossiê, vai ficar tudo muito difícil.''
O manifesto de apoio à reeleição entregue a Lula foi assinado por 2.135 dos 5.564 prefeitos do país, de vários partidos, inclusive do PFL, PSDB e PDT, que fazem oposição ao seu governo. Lula pediu o empenho deles para garantir a sua reeleição. ''Queria pedir pra vocês que não tem eleição ganha antes da apuração, é preciso que a gente trabalhe, que a gente vá para a rua, que a gente defenda aquilo que a gente acredita'', apelou. ''E eu quero ver se no dia dois de outubro a gente pode se encontrar pra dizer esse resultado ou na semana seguinte. Ou, se não deu no primeiro turno e tiver segundo turno, não tem nenhum problema, porque o mundo é assim mesmo e é bom que tenha dois turnos'', disse ele, certo da vitória.

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