Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem ajuda para conseguir fiscalizar, adequadamente, o programa Bolsa Família, alvo de críticas depois da descoberta de várias irregularidades na execução. Ao discursar durante a cerimônia de assinatura de convênios com o Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público (MP) e Corregedoria-Geral da União (CGU) para a fiscalização do Bolsa Família, Lula solicitou, sem rodeios, ajuda direta a esses órgãos.
''Nós queremos o seguinte: fiscalizem, por favor, fiscalizem. Fiscalizem porque a boa fiscalização significa a certeza da boa aplicação do dinheiro recolhido do próprio povo brasileiro'', afirmou, reforçando que, ao trabalhar no controle do projeto, essas instituições serão ''avalistas de uma boa causa''.
Ele disse aos procuradores e técnicos que lotaram a cerimônia no Palácio do Planalto que torce para que eles ''trabalhem mais do que nunca'' e aumentou o tom ao prever o futuro do Bolsa Família: ''Que a gente possa, meus companheiros do Banco Mundial (Bird) e do Pnud (Prograna das Nações Unidas para o Desenvolvimento), daqui a alguns meses dizer que nós temos o mais honesto e o mais eficaz programa de transferência de renda que o mundo contemporâneo já conheceu'', afirmou.
Em 2004, o Bolsa Família recebeu uma avalanche de críticas depois de surgirem denúncias em todo o País dando conta da existência de cidadãos que não precisavam do benefício, mas que recebiam a bolsa.
Entre os favorecidos, irregularmente, havia até parentes de prefeitos e funcionários públicos municipais, responsáveis pela realização do cadastro de famílias pobres em cada cidade. Naquela época, Lula defendeu a fiscalização e a administração federal prometeu iniciar ações para controlar as dificuldades.
Justamente na época em que as acusações surgiram, em outubro, o plano comemoraria a marca de 5 milhões de famílias atendidas. Uma cerimônia estava marcada no Planalto com a participação do presidente, mas foi cancelada.
Ontem, a assinatura dos convênios foi transformada na cerimônia que não houve. ''Nós queríamos chegar em 6,5 milhões de famílias (em dezembro de 2004). Chegamos a 6,572 milhões, o que é uma demonstração que chegaremos 8,7 milhões de famílias em dezembro deste ano'', disse.
O presidente voltou a defender os programas de transferência de renda e as ações do Poder Executivo voltados para diminuir a pobreza no País. ''Quando se fala em emprestar R$ 10 bilhões para um grupo econômico, a gente fala investimento. Quando se fala em dar dez reais para um pobre, a gente fala em gasto, não fala em investimento'', afirmou.

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