Brasília - Num discurso firme, que misturou cobranças com afagos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem ao Congresso que aprove ainda neste ano as reformas tributária e previdenciária. Dizendo que a ''sorte está lançada'', ele cobrou que cada um dos congressistas assuma sua ''responsabilidade'' e ainda fez promessas aos Estados nordestinos.
Lula entregou pessoalmente as duas propostas de emenda constitucional, quatro meses depois de assumir seu mandato. Estava acompanhado dos 27 governadores, prefeitos e parlamentares. Foi a terceira vez que o presidente esteve no Congresso desde sua eleição.
Passando a responsabilidade pela aprovação das reformas ao Congresso, Lula afirmou que os deputados e senadores são agora ''os donos do jogo''. Pediu que votassem com a ''consciência'', independentemente de serem oposicionistas ou governistas.
Ao defender a aprovação das reformas ainda neste ano, Lula fez questão de dizer: ''Essa Casa tem o tempo que quiser, porque tem autonomia. Entretanto, se eu pudesse dar um conselho, daria: no ano que vem tem eleição e todo mundo sabe que em ano eleitoral tudo fica muito mais difícil de ser votado''.
Em seguida, num tom de brincadeira, disse para os deputados no plenário da Câmara: ''Até porque eu olho para a fisionomia das pessoas e vejo muitos candidatos a prefeito''. Logo após, porém, fez uma advertência: ''O que não vale em política é a gente prejudicar 175 milhões de pessoas por conta de uma próxima eleição''.
Em discurso de 13 minutos, feito de improviso, o presidente também fez um gesto especial para conquistar o apoio das bancadas nordestinas, ao incluir repentinamente em seu discurso promessas de realização de grandes obras para a região.
Acenou também para os servidores públicos, dizendo que a reforma não é feita para prejudicar ninguém. ''A reforma não é para fazer favor para uns, não é para prejudicar outros, é para ver se conseguimos fazer com que nosso país deixe de ser um país emergente e passe a ser desenvolvido.''
Logo no início do discurso, o presidente quis dividir o ônus pela apresentação das reformas com todos os partidos políticos. Ele reforçou o fato de as propostas não serem apenas do Palácio do Planalto, mas elaboradas após duas reuniões com governadores e discussões no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
''A proposta não é apenas do governo federal'', disse ele, listando em seguida os 27 governadores. ''É provavelmente também de milhões de brasileiros cujos nomes não pude colocar neste papel'', disse.
Reiteradas vezes, Lula procurou reforçar a defesa da cooperação entre os Poderes e foi pródigo em gestos de cortesia ao Poder Legislativo.
O presidente pediu aos deputados que votem ''com consciência'', sugerindo que eles criem espaços para a sociedade dizer o que pensa delas. ''A única coisa que eu peço e tenho certeza de que assim será é que esse voto seja um voto de consciência''.

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