Lula passa cofrinhos atrás de recursos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 1998
Carla Franco Agência Estado 
O candidato da frente de oposição à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez ontem campanha nas portas das montadoras no ABC paulista, onde iniciou sua carreira política. Ainda estava escuro, quando, às 5 horas, o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos reuniu cerca de 2 mil horistas na frente da Volkswagen em São Bernardo do Campo, acompanhado dos candidatos do PT ao governo do Estado, Marta Suplicy, e ao Senado, Eduardo Suplicy, e de candidatos a deputado.
O candidato falou de desemprego e criticou a enxurrada de propaganda do Brasil em Ação - de ações do governo Fernando Henrique - na tevê. Classificou de eleitoreira a redução do preço dos combustíveis e atacou a privatização da Telebrás. Nós precisamos parar com essa política de desmonte do Estado brasileiro, disse.
Lula finalizou o discurso pedindo fundos para a campanha, enquanto a tesoureira do partido, Clara Ant, passava cofrinhos de papelão e lata entre os metalúrgicos reunidos no pátio de entrada e na rampa de acesso à Volks. Como não privatizamos nada para arrumar dinheiro para a campanha, passaremos o cofrinho na porta da fábrica, disse Lula. Ninguém precisa dar muito, não, disse. Um real, uma moeda, para a gente provar que não é preciso fazer campanha com o dinheiro dos grandes grupos econômicos.
Pouco depois, Lula repetiu o discurso na frente da Scania, palco da primeira greve dos metalúrgicos do ABC, em maio de 1978, sob seu comando. Foi aqui que tudo começou, lembrou o candidato a cerca de 300 funcionários.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, pediu aos trabalhadores que contribuam com uma ou duas cervejas nos dias 5 e 20 de agosto e 20 de setembro, datas de pagamento dos salários na Volks, e no dia 15, na Scania.
Por volta das 7 horas, Lula voltou à Volks. Cerca de 200 funcionários ouviram o candidato, que dedicou a maior parte de seu discurso para ressaltar a importância da candidatura de Marta Suplicy do governo paulista, a quem chamou de porta-estandarte da liberdade da mulher.


