Lula ouve críticas de empresários no PR
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de ouvir diversas reivindicaçãoes e reclamações ontem a noite, em Curitiba, dos presidentes da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomércio) e do Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que nunca nenhum outro governo possibilitou a participação de entidades de classe e da sociedade como o seu e também enfatizou o crescimento econômico do País. Lula esteve na capital paranaense para participar do encerramento do Fórum Futuro 10 Paraná, que durante todo o ano reuniu a socidade civil, diversas entidades e governantes para discutir propostas para o desenvolvimento do Estado nos próximos dez anos.
Entre as críticas feitas pelas entidades estão os juros altos, que, como afirmou o presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, ''valoriza demasiadamente o real e transforma em pó as oportunidades de exportação''. Loures disse também que a China é hoje o principal desafio do Brasil, já que lá ''a taxa de câmbio é de R$ 4,7 para um dólar''. ''Lá as empresas se expandem e criam riquezas, enquanto que aqui as empresas definham sob o peso dos impostos, que de 20% chegou a quase 40% do PIB'', afirmou o presidente da Fiep em seu discurso. O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, reclamou da demora do pagamento do seguro aos agricultores que perderam a produção com a seca, da valorização do dólar diante do real que, segundo ele, é ''cruel para os produtores''.
''Já me habituei às críticas, às cobranças. Isso porque eu também já critiquei e cobrei muito. Mas toda vez que eu critico preciso encontrar qualidades na pessoa para dar vazão'', afirmou o presidente, em relação ao discurso dos presidentes das três entidades. Lula rebateu duramente alguns pontos levantandos pelas entidades. ''Falar de política de juros hoje, apenas criticando, é não permitir que as pessoas possam formar seu juízo de valor'', rebateu. ''Há quanto tempo a população não tem tanto crédito no País?'', indagou presidente, referindo-se a um comentário do presidente da Fecomércio, Darci Piana. ''Há quanto tempo a agricultura familiar não recebia o quanto recebeu nesse governo?'', questionou.
''As pessoas que não têm informações adequadas não têm como fazer juízo de valor'', argumentou o presidente. Lula disse que desde janeiro ouve que o câmbio está mantando as exportações, porém todos os meses as vendas externas estão batendo recorde. ''Me machuca citar a China como exemplo. Certamente ninguém gostaria que o Brasil tivesse a condição da China'', respondeu às críticas de Loures.
Lula afirmou que continua otimista para 2006 e garantiu que não tem nenhuma preocupação com as pessoas que estão sendo investigadas no Congresso Nacional. ''O que não é possível aceitar é quem trunca o funcionamento de uma instituição'', disse, completando que o mal da política brasileira são aqueles que ''torcem para a desgraça dos outros''. O presidente disse que quer voltar ao Estado no próximo ano para apresentar propostas para o desenvolvimento das cooperativas, reivindicação feita por Koslovski, e também para anunciar investimentos no montante de US$ 1 bilhão na refinaria da Petrobras em Araucária (na região metropolitana de Curitiba), a Repar.


