Lula oferece churrasco a Bush e PT protesta
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mostrar, com um churrasco marcado para o domingo, a hospitalidade dos brasileiros ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Já o PT estará ao lado das entidades que pretendem hostilizar Bush. As manifestações anti-Bush programadas para amanhã e depois, em São Paulo e em Brasília, têm o apoio oficial do diretório nacional do partido.
''Não vejo nenhuma contradição nisso'', diz o presidente nacional da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP). ''O partido não tem a obrigação de seguir posições do governo e o governo não precisa seguir as posições do partido'', prossegue. Berzoini insiste: ''O partido tem posição de partido. O presidente da República representa o Estado brasileiro. Por isso, o presidente vai receber seu colega norte-americano com todo carinho, mas o partido dele não.''
O presidente nacional do PT afirma ainda que a sigla tem muitas decisões contrárias à política externa dos EUA e do presidente norte-americano. ''Nós somos contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), contra a política ambiental dos Estados Unidos, contra a política de Bush para o Oriente Médio e também por uma distribuição de renda contrária à adotada por eles.''
Para mostrar que uma coisa é Lula receber o presidente dos EUA e oferecer carne a ele na Residência Oficial do Torto, e outra, a agremiação, a página do PT na internet hospeda, desde ontem às 10h08, um chamamento ao repúdio a Bush. De acordo com a programação, os movimentos sociais protestarão contra ele no fim de semana.
A página lembra que a visita de Bush ao Brasil sábado e depois deve desencadear uma onda de manifestações por todo o País. A notícia informa ainda que os protestos de três dias são organizados pela Coordenação dos Movimentos Sociais, que inclui a Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outras organizações. A página do PT informa que o diretório nacional do partido apóia os atos.
Algumas paredes e monumentos da capital federal amanheceram ontem com palavras contrárias ao presidente norte-americano, como ''Fora Bush assassino''. Um dos monumentos pichados foi o Memorial JK, que fica no Eixo Monumental, próximo ao Palácio dos Buritis. É um local distante da Granja do Torto, por onde, dificilmente, Bush passará, a não ser que ele queira visitar o túmulo do colega brasileiro.
Sugurança - O espaço aéreo de Brasília ficará fechado em uma área de mais de mil quilômetros quadrados durante a passagem do presidente dos EUA, George W. Bush. Além disso, no hotel do norte-americano, com os 395 quartos isolados para a comitiva, nenhum brasileiro vai chegar a uma distância de menos de 40 metros de sua suíte.
Entre o início da noite deste sábado e o final da tarde de domingo, período de permanência de Bush em Brasília, ficará proibido o vôo de qualquer tipo de aeronave numa zona de exclusão a ser criada num raio de 19 km a partir do hotel em que a comitiva norte-americana ficará hospedada. No esquema especial montado pela FAB (Força Aérea Brasileira), sobre o hotel e a residência oficial da Granja do Torto, estão vetados vôos de helicópteros, aeronaves comerciais e até ultraleves.
Com o auxílio de aviões radar R-99 A, de caças supersônicos F-5 e dos Super Tucanos A-29, o espaço aéreo do Distrito Federal também será monitorado por radares fixos do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. O aeroporto de Brasília, porém, não será afetado. Em solo, toda a operação de segurança ficará por conta da Polícia Federal. Na ''Operação América'' serão 500 homens, 250 deles do serviço de inteligência e segurança da Casa Branca.


