Lula nega que vá desistir da disputa
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Vera Rosa e Luiz Fernando Rila Agência Estado 
Depois de questionar a legitimidade desta eleição para presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou o atual momento político ao período do regime militar, mas negou que vá retirar-se da disputa, como está sugerindo o deputado Chico Vigilante (PT-DF). Temos de denunciar o abuso do poder econômico porque isso é coisa que só vi nos tempos do Brasil, ame-o ou deixe-o, dos anos 70, disse Lula. Mas, como lutei muito para vencer aquele período, vou lutar agora também.
Lula fez as afirmações na sede do PT, em São Paulo, logo após reunir-se com cerca de 40 empresários e apresentar as diretrizes de seu programa de política industrial e comércio exterior. Sem citar o nome de Vigilante, o deputado do PT mais votado no Distrito Federal, Lula mandou um recado ao companheiro: Quem inventou essa história (de retirada do seu nome do páreo) que assuma a responsabilidade por ela.
Foi o que fez o deputado, em Brasília. Vigilante esteve com Lula na tarde de segunda-feira, quando o candidato entregou uma carta ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ilmar Galvão, pedindo providências sobre o tratamento desigual que estaria recebendo dos meios de comunicação.
Ontem, o deputado contou ter deixado claro a Lula que defende a renúncia não só dele como de todos os concorrentes do PT ao governo, às Assembléias Legislativas, à Câmara e ao Senado. Motivo: acha que com essa atitude, o partido chamaria a atenção para a farsa que é a democracia brasileira. Esta eleição é uma fraude, queixou-se. Para o petista, é uma contradição seu partido participar do pleito ao mesmo tempo em que sustenta que ele é ilegítimo.
Mas Lula não concorda com Vigilante. No primeiro dia do horário eleitoral gratuito de rádio e TV, o candidato procurou mostrar disposição para a campanha. Nós começamos agora a corrida: o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu na pole position, mas o carro dele pode quebrar, comentou, referindo-se às últimas pesquisas de intenção de voto, que indicam a liderança de Fernando Henrique. Não faz sentido abandonarmos o pleito, reforçou o presidente do PT, José Dirceu. Nosso movimento foi calculado para mobilizar os militantes e denunciar a discriminação em relação a Lula.
No diagnóstico do candidato do PT, o cenário eleitoral será bem complicado. Vou dizer de coração aberto: o presidente pode ter certeza de que haverá um segundo turno muito apertado, para mim ou para ele, previu Lula. Só que, no segundo turno, ele sabe que não aguenta uma campanha, porque aí haverá igualdade entre as candidaturas.
Ao falar para uma platéia composta, em sua maioria, por filiados à Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives) entidade que reúne simpatizantes do PT , Lula voltou a criticar Fernando Henrique. Naquele momento, o presidente estava reunido com empresários do setor da construção civil, também em São Paulo. Já virou praxe: toda semana que eu lanço um programa ele finge que lança o dele, alfinetou.J.F.Diorio/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)No páreoLula, ao lado de Aloísio Mercadante, em encontro com empresários simpatizantes à sua candidatura: Vou lutar agora tambémPetista teria sido aconselhado por deputado-companheiro que teme farsa da eleição, mas diz que vai continuar no páreo


