Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que tenha fracassado a proposta de criação de um Conselho de Defesa na América do Sul, a ser criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Lula disse que um acordo que envolve diversos países precisa de tempo para ser analisado por cada nação. ''Eu estou há seis anos na Presidência do Brasil. Cada vez que discutimos uma proposta de acordo que envolve um ou mais países, às vezes levamos meses discutindo, e tem que ser assim até que todos estejam convencidos de que a proposta é boa para todos os países'', afirmou.
Durante reunião de cúpula da Unasul ontem os chefes dos países sul-americanos decidiram criar um grupo de trabalho para analisar em 90 dias a proposta do governo brasileiro de criação do Conselho de Defesa. Após o grupo analisar o tema, a proposta será rediscutida com os chefes de Estado que vão analisar sua viabilidade de implementação.
Lula explicou que, ao pedir para o ministro Nelson Jobim (Defesa) discutir a criação do conselho com os países sul-americanos, tinha como objetivo apenas ''abrir a primeira discussão'' sobre o tema. ''Precisamos ter o nosso setor de defesa pensando conjuntamente. Isso só será possível se criarmos o instrumento, que é o conselho'', explicou.
A presidente Michelle Bachellet (Chile) defendeu a criação do conselho com o argumento de que o órgão terá condições de normatizar ações para a região, como a intervenção militar no Haiti.
A Unasul foi constituída oficialmente ontem, durante reunião de cúpula com a presença de representantes e chefes de Estado de doze países da região, em Brasília. No encontro, os chefes de Estado assinaram o tratado de constituição da Unasul, que cria uma espécie de ''bloco'' de países da América do Sul.

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