Lula não vai a debate e é chamado de 'fujão'
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quinta-feira, 28 de setembro de 2006
Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - Depois de um dia inteiro de expectativas, dúvidas e consultas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou à TV Globo, por volta das 19 horas, que não iria participar do debate com os candidatos ao Planalto, marcado para as 22 horas de ontem. Lula alegou que seria ''um jogo de cartas marcadas'', em uma ''arena de grosserias e agressões''. O candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, chamou Lula de ''fujão''.
A decisão de Lula foi solitária e levou em conta vários fatores. Pesou, principalmente, a decisão das oposições de ir ao Banco Central exigir que a instituição entrasse na investigação da origem dos dólares encontrados com petistas, destinados ao pagamento do dossiê Vedoin. Também influenciou Lula uma pesquisa qualitativa recebida na tarde de ontem, segundo a qual não deverá haver mesmo segundo turno. Lula levou ainda em conta a possibilidade de haver no debate ataques à sua família, que ele entende que deve ser preservada a todo custo.
Os termos da carta que o presidente Lula enviou à emissora para justificar a ausência no debate, foi lida, relida e repassada por ele antes de remeter à TV Globo. ''Sou um dos políticos que mais participou de debates eleitorais neste País. No entanto, é fato público e notório o grau de virulência e desespero de alguns adversários, que estão deixando em segundo plano o debate de propostas e idéias, para se dedicar, quase exclusivamente, aos ataques gratuitos e agressões pessoais'', argumentou Lula.
Pela manhã, o presidente participou de uma reunião de coordenação no Planalto, onde ouviu prós e contras à sua ida ao debate. Os ministros Tarso Genro, das Relações Institucionais, e Luiz Dulci, da Secretaria Geral, achavam que ele deveria ir, assim como o novo coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia. Lula fez uma nova reunião, antes de deixar o Planalto para o Alvorada, para mais uma rodada de avaliações.
No início da tarde Lula foi à gravadora, para avaliar se iria refazer trechos do seu último programa eleitoral, o que acabou não ocorrendo, e se despediu da equipe que trabalhou na produção dos seus programas de rádio e TV, como se estivesse certo de que não haverá segundo turno.
O tucano Geraldo Alckmin reagiu à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não participar do debate na Rede Globo. Em nota oficial em seu site de campanha, o tucano diz: ''Lula fujão evita debate para não ter de explicar escândalos'' e classifica a atitude do adversário petista de ''vergonhosa''.
A nota diz: ''Lula não tem como explicar a sequência de escândalos que envolvem seu governo, como Waldomiro e os bingos, mensalão, vampiros, sanguessugas, ONGs da companheirada, cartilha de R$ 11 milhões que ninguém viu, e agora a armação de um dossiê fajuto para tentar prejudicar a campanha de Geraldo. Em todos os escândalos estavam envolvidos assessores diretos de Lula''.
E continua: ''É uma vergonha. Mas esta é a realidade. O presidente do Brasil não pode aparecer em programas que visam esclarecer a opinião pública porque não tem como responder às perguntas''.


