'Lula não tem vocação para ser domesticado', diz vice
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quarta-feira, 14 de agosto de 2002
Ana Paula Scinocca<BR>Agência Estado 
São Paulo - O candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), senador José Alencar (PL-MG), rebateu ontem a afirmação do candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, que acusou Lula de ter sido domesticado pelo mercado financeiro. ''O Lula não tem vocação para ser domesticado. Ele é um moço corajoso, de valor e nós sabemos de onde ele saiu para chegar onde está'', disse. Para o senador mineiro, Lula ''é a última pessoa a quem se pudesse atribuir essa qualificação, de ser domesticável pelo sistema financeiro internacional''.
Acompanhado do vice-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, o sindicalista Luiz Marinho, Alencar fez campanha, ontem, na região do Grande ABC. Pela manhã, ele visitou a Textilcooper, cooperativa do setor têxtil que fabrica mantas e cobertores em Santo André. Depois participou de um almoço com 250 empresários da região, em São Bernardo do Campo, em encontro organizado pelo PT de São Bernardo e que teve como objetivo principal obter recursos para a campanha do partido.
Durante o almoço, o comando petista distribuiu aos empresários um kit - composto por uma fita de vídeo, de 15 minutos, com as propostas da legenda; uma carta de Lula e Alencar e um broche com o símbolo do partido (uma estrela). A partir de hoje, os dirigentes do partido começam a fazer contato com os empresários para tentar obter doações para a campanha petista.
Ao comentar a possibilidade de o presidente Fernando Henrique Cardoso vir a realizar uma minirreforma tributária, por meio de Medida Provisória, Alencar disse que, se isso ocorrer, ele ''pára sua campanha e vai para Brasília votar'' a reforma. ''É isso o que o Brasil precisa e o que o Lula tem recomendado'', afirmou. O senador reiterou a necessidade de o Brasil exportar mais. ''Ou o Brasil exporta mais para fazer crescer o superávit da balança comercial, ou está liquidado.''


