Curitiba A chamada ``onda Lula`` não arrebentou tão forte nas urnas do Paraná anteontem, como no primeiro turno. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou uma boa votação no Estado, com 2.929.235 votos, o que equivale a 59,2% dos votos válidos. A porcentagem, entretanto, ficou abaixo da média obtida por Lula em todos os estados do Brasil que ficou em volta dos 61%.
O desempenho do petista no Paraná, comparativamente, foi melhor no primeiro turno, quando Lula teve a preferência de 50,1% dos eleitores paranaenses com 2.540.149 votos, contra a média nacional de 46,4% obtida pelo novo presidente. No segundo turno, o eleitor paranaense mostrou-se mais arredio aos apelos do candidato de esquerda, retomando um perfil mais conservador já apresentado nas três últimas eleições em que Lula foi candidato a presidente.
Já o candidato derrotado do PSDB à presidência, José Serra, não pode reclamar de seu desempenho no Estado. No primeiro turno, a porcentagem de eleitores que votaram no tucano (27%) já havia sido maior do que a média nacional obtida por Serra, que obteve 23,2% dos votos válidos. Nas eleições de ontem, Serra aumentou sua votação em relação a do dia 6 de outubro, saltando de 1.367.312 votos para 2.017.095 votos, o que equivale a 40,8% dos votos computados para presidente no Estado.
Curiosamente, nas duas maiores cidades administradas pelo PT no Estado, Serra saiu vitorioso. Em Londrina, Serra bateu Lula com 55,4% dos votos, contra 44,6% do petista. Em Maringá, o tucano obteve 52,1% da preferência dos eleitores, contra 47,9% de Lula. Já no maior colégio eleitoral do Estado, a vitória de Lula foi mais ampla que no resto do Estado: Lula obteve 64,7% dos votos, contra 35,3% de Serra.
O presidente do PT do Paraná, André Vargas, acredita que o resultado das urnas é uma ``avaliação crítica das administrações petistas``. ``Estamos com dificuldades, mas ninguém fala que estamos roubando. As cidades que escolheram governos petistas estão enfrentando dificuldades desde o início do mandato porque não têm apoio dos governos estadual e federal``, justificou. ``Acho que isso muda agora``, disse Vargas, confiante nas administrações de Lula e do governador eleito Roberto Requião (PMDB). O peemedebista contou com o apoio do PT no segundo turno.
Para o coordenador da campanha de José Serra no Paraná, o deputado federal Basílio Villani (PSDB), os prefeitos do interior foram fundamentais para o crescimento do tucano. ``O que diferenciou foi a organização que montamos, conversando com os prefeitos. São eles que estão junto da população. Apesar da situação espremida em que estávamos, tivemos um bom desempenho``, afirmou.
Villani referiu-se ao fato de que os candidatos ao governo Alvaro Dias (PDT) e Requião declararam apoio a Lula, deixando Serra sem palanque no Paraná. ``Acho que assim acabou ficando melhor. Pelo menos não vinculou-se o nome de Serra ao indíce de rejeição dos candidatos locais. Ia acabar atrapalhando``, comentou Villani.
No total, foram registrados 4.946.330 votos válidos nas eleições no Paraná. Dos 5.428.022 eleitores que comparaceram às urnas ontem, 370.504 anularam seus votos e 111.188 votaram em branco. (Colaborou Cristiane Oya)

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