Lula 'não gosta do serviço', diz Jefferson
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segunda-feira, 08 de agosto de 2005
Epaminondas Neto<br>Folhapress 
São Paulo - O deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não gosta do serviço, numa referência ao exercício da presidência, e que não voltaria a apoiá-lo em uma nova campanha eleitoral. Jefferson participou de seminário em São Paulo sobre reformas políticas, onde foi aplaudido de pé, apesar da admissão de que utilizou caixa 2 em sua campanha.
Ao levantar a hipótese se voltaria a apoiar Lula em uma hipotética nova campanha, Jefferson disse: A minha resposta seria não. Que ele [o presidente] não gosta de trabalhar. Ele delegou o governo ao [ex-ministro da Casa Civil] José Dirceu. Tudo o que ele gosta de fazer é passear de avião e acrescentou: [ele] não gosta do serviço, mas eu não posso acusá-lo de desonesto. Pouco depois, Jefferson se referiu ao presidente como um semideus e que não conseguiria atacar um operário que chegou ao poder.
Convidado a falar sobre reformas no sistema político, o deputado faz um discurso carregado de críticas ao PT, ao ex-ministro Dirceu e a demais membros do Executivo. Eu não sei porque só explode no Parlamento esse negócio do mensalão. Tem ministros que mandaram sacar. Secretários-executivos, chefes de gabinete meteram a mão no jabá, afirmou, sem citar nomes.
Jefferson fez pelo menos duas admissões de culpa durante as duas horas de apresentação no seminário. Primeiro, admitiu que utilizou de recursos não-contabilizados durante sua carreira parlamentar, que iniciou em 1979. Se me perguntarem se nesses 23 anos: você recebeu financiamento não- contabilizado? O tempo todo, sempre, afirmou o deputado, mais uma vez, justificando que os empresários temem doar [recursos] por dentro.
Pouco mais tarde, o parlamentar fez referência ao caso já apelidado de conexão Lisboa, em que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, junto com o tesoureiro informal do PTB, Edson Palmieri, viajaram a Portugal no início deste ano. Em Portugal, Valério teve encontros com empresários locais e políticos do primeiro escalão, supostamente numa viagem de negócios, mas que para Jefferson, foi uma estratégia para angariar recursos para o PT e o PTB, com anuência do Planalto. Ele relembrou o caso e disse a proposta não foi aceita. Eles voltaram de mãos vazias.
Os relatos não impediram que a platéia lotada de empresários o aplaudisse e por pelo menos três vezes: uma, quando disse que não renunciaria porque não poderia pedir votos sem esclarecer todas as suas culpas perante os eleitores; a segunda, quando sugeriu que fossem cortados pelo menos dois de cada três deputados da Câmara; e no final, quando concluiu o seminário e foi aplaudido de pé por parte da platéia que lotou um plenário com capacidade para 280 pessoas, inclusive utilizando os corredores. O seminário foi promovido pela Associação Comercial de São Paulo.


